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Chorão: de Bauru para a abertura olímpica

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Divulgação
Chorão ficou três meses no Rio se preparando para a abertura dos Jogos Olímpicos e se apresentou em diversas cenas, com vários figurinos ao longo do espetáculo

Enquanto o mundo parou para ver a abertura das Olimpíadas do Rio pelas telas, ele estava lá, acompanhando de pertinho, fazendo parte do espetáculo. Na Entrevista de hoje, o professor de ritmos urbanos Roddy Rodrigues, o  Chorão, comenta os seus passos nessa aventura sem igual. 
Nascido em São Paulo, Chorão vive em Bauru há 10 anos, mas já se considera um bauruense. Por aqui, ele também carregou a tocha olímpica. “Ter participado de tudo isso foi incrível, surreal, talvez indescritível”, narra. 
Atualmente, ele dá aulas de dança na academia Sigma, além dos colégios Cisne Real, Batista e Colégio Rembrandt COC. “Com a dança eu aprendi a ser um ser humano melhor, muito melhor. A dança ensina isso. A forma como a arte te toca, se você for uma pessoa aberta às experiências, você se transforma”. Leia mais. 

JC – O mundo “parou” para ver a abertura das Olimpíadas do Rio. Como foi ter participado de tal espetáculo?  
Chorão - Eu participei de várias cenas. A primeira representou a chegada dos portugueses ao Brasil. Eu entrei como o capitão de uma das caravelas, mas participei durante todo o show. Mas a ficha ainda está caindo. Foi incrível, surreal, talvez indescritível. Foram três meses de ensaios diários e estou voltando agora para a realidade. Estou retomando minha rotina. Ter trabalhado com nomes como Deborah Colker e equipe, Fernando Meirelles, Daniela Thomas, Andrucha Waddington, Rosa Magalhães e Abel Gomes, com certeza foi inesquecível.

JC – Como surgiu a oportunidade? 
Chorão - Eu recebi um convite de um dos assistentes coreógrafos da Deborah Colker, diretora do espetáculo. Ele é meu amigo de longa data e me ligou. Fiquei três meses ensaiando antes da abertura. Havia voluntários e artistas profissionais contratados. Eu fui como contratado. Nunca pensei que um dia pudesse participar de um espetáculo como é uma abertura olímpica. Como eu disse, ainda estou curtindo o que está acontecendo. 

JC – As danças urbanas encontraram o seu espaço no Brasil? 
Chorão - Quando comecei na dança, não havia campo para os ritmos urbanos. A gente participava de competições, e não havia grandes, e precisava tomar banho de mangueira, porque não tinha estrutura. Acho que ficávamos com as migalhas e ainda havia o preconceito. Hoje isso mudou muito. Nas Olimpíadas, por exemplo, eu posso dizer que ao menos 90%  do elenco profissional que participou da abertura vêm de danças urbanas. 

JC – Como você avalia esse mesmo cenário em Bauru? 
Chorão - Eu digo, sem medo de errar, que Bauru é uma das capitais estaduais e até nacionais das danças urbanas. A cidade se abriu muito para essa arte. Há aulas de danças urbanas dentro da grade oficial ou extracurricular de muitos colégios particulares do município. Eu mesmo dou aulas em três deles. O nosso trabalho é bem reconhecido aqui. 

JC – Você nasceu em São Paulo, mas disse que já se considera um bauruense. 
Chorão - Estou em Bauru há 10 anos. Vim atrás de uma proposta feita por amigos da dança. Vim para passar umas férias e gostei de Bauru. Voltei para a cidade e começamos uma cia de dança e nunca mais fui embora. Vim em julho de 2006 e fiquei até julho de 2008. Fui para o exterior, fiquei três anos fora em países como: Egito, Portugal, Suíça e Alemanha, tudo pela dança. Voltei para Bauru e fiquei indo e voltando até que entrei para a faculdade de Educação Física da Unesp. 

JC - Em São Paulo você já trabalhava com a arte?
Chorão - Sim. Eu danço desde muito pequeno, desde quando ainda estava na escola. Fazia apresentações e as professoras me colocam como destaque (risos). Participava de festivais de talentos dos colégios e só fui tomando gosto pela dança. Fui morar em Minas em 1997, onde minha mãe ainda vive, e fiz um amigos que também gostavam muito de dançar. A gente fazia passinhos e foi onde eu conheci meu primeiro grupo de dança, que era independente e de rua mesmo. Isso em 1998, e não parei mais. Nessa época, eu já participava de competições e audições, foi quando voltei para São Paulo e, de lá, para Bauru. 

JC – A dança já rendeu troféus para você?
Chorão - Participei de muitas competições e conquistei alguns prêmios que me enchem de orgulho. Em 2007, por exemplo, fui premiado no Festival Internacional de Curitiba, com a cia que eu dançava, em São Paulo. Acho que dentro do formato de danças urbanas este é o maior festival do País. Ganhei vários prêmios com a Sigma, também. 

JC –  Você teve outros ofícios além da dança ?
Chorão - Sim, para sustentar o meu aprendizado na dança. Já fui servente de pedreiro e vendedor de uma loja de ferramentas para construção, loja de roupas em shopping, entre outras coisas. 

JC –  Você teria outra profissão além da dança, hoje?
Chorão - Na verdade, eu penso em coisas para o futuro, porque, infelizmente, a idade e a forma física não vão permitir que eu dance para a vida toda, profissionalmente. Por isso estou terminando a faculdade de educação física e pretendo lecionar. Eu gosto muito do ambiente escolar. Também gosto muito de roupa. Talvez tenha algo voltado à moda urbana. 

JC – O que a arte é capaz de ensinar?   
Chorão – Com a dança eu aprendi a ser um ser humano melhor, muito melhor. A dança ensina isso. A forma como a arte te toca, se você for uma pessoa aberta às experiências, você se transforma. Com a dança eu conheci muita gente incrível. Fiz grandes amigos. Ela (arte) proporcionou os meus melhores momentos, minhas melhores lembranças e minhas maiores conquistas. É claro que também tive tristezas e frustrações, mas as alegrias superaram, e muito. 

JC – Por que o seu apelido é Chorão?
Chorão  - Foi uma junção de coisas. Quando pequeno, eu chorava muito e por tudo. Bastava minha mãe se afastar para eu chorar. E ficou isso em casa. Mais tarde entrei para uma companhia de dança de São Paulo e os meninos de lá  achavam que eu era parecia com o Chorão, do Charlie Brown Jr. Um dia esses amigos conheceram a minha mãe e ela contou essa história da minha infância. Ficou Chorão para sempre (risos). 

JC - Viver longe da família deve ser um obstáculo a ser superado diariamente...
Chorão  - Eu deixei de viver com minha mãe já há uns 15 anos. Não é fácil. Eu praticamente não tenho vivência com minha família. Parte dela está em Minas e parte em São Paulo. Tenho sobrinho crescendo e não posso acompanhar de perto. Em datas comemorativas, quando todos estão com a família, professores de dança estão preparando apresentações para alegrar a família dos alunos. Nem todo mundo segue em frente por causa desse preço a ser pago. Mas eu não faria diferente, porque graças a Deus está dando certo e eles estão orgulhosos, o que me deixa bastante feliz. 

Perfil

Roddy Rodrigues (Chorão)
Tem 30 anos e nasceu em São Paulo

É do signo de Câncer e tem no handebol um hobby
Gosta de muitos estilos musicais, entre eles o hip hop e R&B
Chorão é corintiano de carteirinha 

“À Espera de um Milagre” e “Diário de uma paixão” 
são suas indicações de filmes
Quanto a livro, o seu preferido é “O Pequeno Príncipe”   
Nota 10: Para as danças urbanas, por seu processo árduo e vencedor 
Nota 0: Para a corrupção. Somos uma nação sofrendo pela corrupção e ganância 
E-mail: rdgs_roddy@hotmail.com

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