Articulistas

A Maçonaria de ontem e de hoje

Waldir Ferraz de Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A história que assinala os feitos da Maçonaria no mundo está estreitamente relacionada aos principais movimentos de libertação dos povos, tais como a Revolução Francesa, que formatou os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade e influenciaram decisivamente nos processos que culminaram com a independência norte americana, dos países da América de Sul e especificamente do Brasil.


Em nosso país vamos encontrar a marca dos antigos maçons na Inconfidência Mineira, na Revolução Pernambucana, na Independência, na Guerra dos Farrapos, na Abolição da Escravatura e na Proclamação da República, dentre outros movimentos libertários.


A data de hoje é bastante significativa para os maçons brasileiros, pois segundo registros históricos, documentados em atas e preservados nos arquivos do Palácio do Lavradio, no Rio de Janeiro, a “proclamação antecipada” da independência deu-se na noite de 20 de agosto de 1822, em Sessão da Loja Maçônica Comércio e Artes, presidida por Joaquim Gonçalves Ledo, fato confirmado posteriormente por D. Pedro I, também maçom, em 7 de setembro do mesmo ano. É desse legado marcante da Maçonaria que agora revemos em rápidas palavras que devem ficar as lições a serem utilizadas no presente, não como repetição pura do passado, mas no que for possível historicamente transpor, mormente na memória coletiva das atividades organizacionais que passam pelo tempo e permanecem, nos conduzindo a uma reflexão mais aprofundada acerca de um futuro melhor que tanto almejamos.


Cada momento histórico citado reflete a ação maçônica daquele período cultural, posto que, como organização com ideário próprio, se amolda aos contornos sociais da época atual e continua cumprindo o seu papel. Na consecução de seus ideais, ela atravessa a noite dos tempos e faz-se renascer a cada aurora com os melhores sentimentos que fazem dos homens livres e de bons costumes cidadãos cumpridores de seus deveres, exercitando suas virtudes confirmadas no labor pátrio da liberdade e da fraternidade.


Hoje, a Ordem Maçônica está diferente daquela do passado e isso faz que alguns a entendam como uma instituição decadente, o que não é verdade. Mudou suas estratégias de ações, sem alterar sua essência, mantendo intactos seus princípios basilares e sua doutrina. Foi sábia ao redirecionar os rumos de seu comportamento, o que não a inviabilizou de continuar a escrever sua história, lutando sempre pelos princípios que prega, porém com nova roupagem.


Finalmente, há de se considerar também que a Maçonaria definida como forma objetiva enquanto instituição jurídica que é, nada mais representa aquilo que sempre foi, ou seja, uma escola de aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual do ser humano, ensinando a domar seus impulsos negativos e suas próprias paixões, sendo a essência de ser o suporte para seus membros, mediante a transmissão de ensinamentos ligados às suas aspirações de um mundo melhor, conforme recomendam seus seculares postulados, grafados na sua doutrina universal.


Parabéns a todos os maçons de Bauru e do Brasil. Que não fiquemos apenas cultuando nostalgicamente os mártires ou atos pretéritos, mas cultivemos desde já um vibrante sentimento que possa nos impulsionar sempre a caminhar de encontro à justiça, à paz, à fraternidade, ao respeito mútuo e, sobretudo, ao amor que deve envolver indistintamente cada ser humano.  Que o Grande Arquiteto do Universo a todos ilumine e guarde.


O autor é formado em História, membro da Loja “Deus, Pátria e Família” de Bauru e colaborador de Opinião.

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