Viajando no tempo através da música sertaneja raiz, até o ano de 1965, vamos relembrar um grande sucesso dos compositores Goiá e Francisco Lázaro. Essa música fala da situação do Brasil naquela época, portanto, fazendo uma comparação com a situação atual, parece que foi escrita e gravada recentemente.
Segundo o radialista e historiador de música sertaneja raiz, Tião Camargo, se não fosse a censura daquela época essa música teria o título de “Reforma Agrária”. Portanto, censurada no Brasil, foi gravada pela primeira vez originalmente em Portugal, pela dupla Zilo e Zalo, sendo posteriormente gravada no Brasil pela mesma dupla com algumas alterações com o título mudado para “A Grande Esperança”.
Prezados leitores, atenção à letra abaixo:
“A classe roceira e a classe operária
Ansiosa espera a reforma agrária
Sabendo que ela dará solução
Para a situação que está precária
Saindo o projeto no chão brasileiro
De cada roceiro plantar sua área
Sei que na miséria ninguém viveria
E a produção já aumentaria
Quinhentos por cento até na pecuária
Esta grande crise que há tempo surgiu
Maltrata o caboclo ferindo em seu brio. Dentro de um país rico e altaneiro
Morrem brasileiro de fome e de frio.
Em nossas cidades ricas em imóveis
Milhares de automóveis já se produziu
Enquanto o coitado do pobre operário
Vive apertado ganhando salário
Que sobe depois que tudo subiu
Nosso lavrador que vive do chão
Só tem a metade da sua produção
Porque a semente que ele semeia
Tem que ser a meia com o seu patrão
O nosso roceiro vive num dilema
E o seu problema não tem solução
Porque o ricaço que vive folgado
Acha que o projeto se for assinado
Estará ferindo a Constituição
Mas grande esperança o povo conduz
Pedir a Jesus pela oração
Para guiar o pobre por onde ele trilha
E para a família não faltar o pão
Que eles não deixem o capitalismo
Levar ao abismo a nossa Nação
A desigualdade que existe é tamanha
Enquanto o ricaço não sabe o que
ganha o pobre do pobre vive de
tostão...” Fim
Nesse meio século de política, o próprio ditado diz: “Só mudam as moscas, o monte de m. é sempre o mesmo”. Não seria uma das soluções para a crise, muita gente fazer o caminho de volta para roça? Evidentemente que na vida nada cai do céu, tudo é com muita luta e dedicação. Porém, vocês, grandes empresários, fazendeiros, juízes e outros bem-sucedidos, nunca esqueçam que foi Deus que lhe deu um dom, que logicamente soube aproveitar. Muitos nascem sem esse dom, muitos são acomodados. Mas, enfim, a sociedade precisa de todos e todos são filhos e obras de Deus, que no final julgará a todos.