| Aceituno Jr. |
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| Orquestra Sinfônica Municipal, com o maestro Paulo Marcos Gomes Pereira |
A Banda e a Orquestra Municipais de Bauru vêm se consagrando como uma das corporações musicais de grande destaque e orgulho da cidade. Recebem jovens de vários bairros para ensaios práticos e estudos teóricos no Automóvel Clube, localizado no Centro.
Os grupos oferecem o ensino musical agregando ao estudo técnico dos instrumentos outros valores essenciais à formação do jovem cidadão, como integração do grupo, autoafirmação, cooperação, disciplina e respeito, apresentando discussões temáticas como cidadania, sexualidade e mercado de trabalho em forma de palestras, encontros, exibição de filmes, entre outros mecanismos de informação e comunicação.
“Ao longo desses anos, temos observado que o projeto já está bem mais maduro e, com isso, os alunos estão sendo atraídos pela profissionalização musical. Temos estudantes fazendo faculdade de música em universidades importantes como a Federal do Rio de Janeiro e a Unicamp. Temos alunos que tocam em orquestras de destaque no Brasil, com a Filarmônica de Goiás. Há alunos na academia da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), entre muitos outros exemplos”, enumera André de Souza Pinto, regente da Banda Municipal de Bauru.
O próprio regente é exemplo desse amadurecimento. Ele, que já foi aluno da banda, hoje é regente e se destaca em projetos fora de Bauru, como a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto.
Expansão
Nossa primeira ideia com os projetos musicais do Automóvel Clube é levar a música para os jovens da cidade, principalmente para os que não têm contato com a música instrumental.
“Por Bauru, nosso desejo é ter um grupo profissional para poder completar todo esse ciclo que vem sendo criado, até mesmo para que esses alunos que estão buscando a profissionalização possam ter em sua terra natal a oportunidade de trabalhar. A base nós já temos com a orquestra e a banda, o que deve continuar”, grifa André.
Outro ponto apontado pelo regente como um sonho é uma sala de concerto no Automóvel Clube para apresentações. Entrar no lugar é, literalmente, adentrar no universo musical. Por onde se olha há um aluno praticando com afinco. Juntos, eles transformam o Automóvel Clube em uma verdadeira “casa da música”.
Fique por dentro
Banda e orquestra mantêm atualizadas páginas oficiais no Facebook com notícias, novidades e acontecimentos importantes dos grupos. Confira em: Banda Sinfônica Municipal de Bauru (oficial) e Orquestra Sinfônica Municipal de Bauru.
Entre muitos sonhos e realizações
Estudantes de música contam suas histórias e aspirações que têm ou tiveram início com a Banda e Orquestra municipais
De Bauru para a UF
| Samantha Ciuffa |
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| Mateus Lisboa de Freitas começou estudando música no Automóvel Clube e hoje é aluno da UFRJ |
Mateus Lisboa de Freitas entrou para o universo da música aos 14 anos. Hoje, aos 19, já está no quarto período da faculdade de música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E tudo começou com as aulas no Automóvel Clube, movido pelo próprio desejo de aprender mais sobre a arte que já corria nas veias da família.
“Meu tio já era músico e eu sempre tive vontade. Conversei com minha mãe e ela viu que o cursinho oferecido aqui estava com inscrições abertas”, lembra.
O estudante começou no trompete, mas decidiu mudar de instrumento, para a trompa, quando a Banda Municipal abriu uma vaga para tal. “Hoje a música é parte integral da minha vida. Eu praticamente vivo dela”.
Já os sonhos de Mateus se fundem com seus objetivos: tocar em uma orquestra profissional e viver de música. E um passo já foi dado para este caminho, a tão sonhada vaga no curso da UFRJ.
Raízes
“Mas sempre que eu posso eu venho a Bauru. E, sempre que estou na cidade (a família vive no Parque Hipódromo), passo no Automóvel Clube para rever as pessoas e estudar um pouco no lugar onde tudo começou”.
Para os que gostam de música e desejam seguir o mesmo caminho, a dica do estudante é nunca desistir, ter foco e seguir com determinação.
“Ter o apoio da família também é muito importante. Minha mãe sempre me incentivou a fazer o que me faz feliz. E eu não me vejo fazendo outra coisa além da música”, finaliza.
‘A música é capaz de transformar a vida de quem a estuda’
Trompetista, Victor Atanazio Pires, 18 anos, começou a ter aulas de música aos 10 anos de idade no projeto Guri. Em seguida, passou a estudar no Automóvel Clube. E, hoje, é integrante da faculdade de música da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“Quero entrar em uma orquestra profissional, ter um emprego estável e seguir com a música em minha vida”, enumera o estudante, que lembra que as suas primeiras notas surgiram como uma saída para suas tardes ociosas. “Meu irmão já estudava saxofone e minha mãe me perguntou se eu gostaria de também estudar música. E eu me interessei logo de cara pelo trompete”, narra.
Segundo Victor, a música é capaz de transformar a vida de quem a estuda. No caso dele, ela (música) trouxe mais responsabilidade e comprometimento, além de experiências novas, como viagens. “Apresentações sempre marcam um músico. Estar em um palco é algo que nos toca. É um sentimento muito bacana o ato de transmitir a música para o público. Quando eu era criança e ainda estava no Projeto Guri, eu solei com um amigo meu uma música de Vivaldi e isso me marcou demais, porque foi a primeira vez”, recorda.
Qualidade rara
Embora agora viva em Campinas, o entrevistado volta para Bauru (a família vive no Jardim Colonial) sempre que possível e aproveita para estudar no Automóvel Clube.
“Por aqui, a qualidade do curso que é oferecido de graça é muito boa. É uma oportunidade indispensável e muito rara.
Projetos como esse é raridade hoje no Brasil. Eu e meu irmão fizemos, minha irmã está entrando agora e eu recomendo para todos que me perguntam sobre. É ótimo até para quem não pretende seguir carreira musical”, defende.
| Samantha Ciuffa |
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| Victor Atanazio Pires começou a estudar música como alternativa para as tardes ociosas; hoje faz faculdade na Unicamp e projeta carreira profissional |
‘A música mudou minha vida para melhor’
Eliel Nathan Nascimento Tavares tem apenas 13 anos, mas já conquistou uma vaga na Orquestra Municipal. Ele começou o cursinho quando tinha 10 anos e se encontrou na música.
“Meu pai não queria que eu ficasse na rua nas minha horas vagas e me inscreveu aqui nas aulas, o que foi muito bom, porque hoje eu também toco na igreja que a minha família frequenta e muita coisa mudou para melhor na minha vida”, acredita.
De acordo com o menino, com a ajuda dos professores e dedicação é possível melhorar dia após dia. Ele estuda cerca de duas horas diárias. “A música me relaxa e me traz conforto. Também me sinto melhor na escola. A música é uma coisa que eu gosto de fazer e eu já penso em ser um profissional”, projeta.
| Samantha Ciuffa |
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| Aos 13 anos, Eliel Nathan Nascimento Tavares já faz parte da Orquestra Municipal |
‘Eu sempre escolheria a música’
A flauta transversal é o atual companheiro de música de Gabriela Gaspar Maurício, de 17 anos, integrante da Banda Municipal. Porém, a garota começou na música aos 8 anos de idade e tocando violino.
“Fiz um ano de violino, mas conheci a flauta e não a larguei mais. É o instrumento do meu coração e da minha vida. Comecei no Projeto Guri e vim para cá (Automóvel Clube) fazer o cursinho para a Banda, onde estou há cerca de 5 anos”, lembra.
A emoção de transmitir música é sentimento sem igual para Gabriela. “Embora já tenha feito muitas apresentações, a adrenalina faz parecer que sempre é a primeira vez no palco”, acrescenta.
| Samantha Ciuffa |
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| Para Gabriela Gaspar Maurício (17) a música é herança de família |
De geração a geração
Como ocorre com boa parte dos estudantes de música, esta é uma herança de família para Gabriela, já que o pai era músico da Orquestra Veritas. Além disso, um tio também é músico e o irmão também é profissional da música.
“Eu estou fazendo faculdade de enfermagem e levando as duas coisas. Eu pago a faculdade, inclusive, com o dinheiro da música. Além da Banda Municipal de Bauru, eu toco em outros grupos, como a Orquestra de Botucatu”, enumera.
Porém, se a menina, que mora na Vila Nipônica, fosse obrigada a se escolher entre a música e a enfermagem, a resposta está na ponta da língua: “Eu escolheria a música”.
Sonho é ter grupo profissional
Segundo maestro da Orquestra Municipal, um dos objetivos do projeto é amadurecer músicos para a formação de grupos profissionais na cidade
| Arquivo JC |
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| Na foto, a Orquestra Sinfônica Municipal na abertura da 17ª Semana Municipal da Terceira Idade |
| Samantha Ciuffa |
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| Trompetista de formação, o maestro Paulo Marcos Gomes Pereira começou tocando em bandas de igreja desde cedo. Mais tarde, foi se profissionalizar em Tatuí. Depois fez regência no mesmo conservatório e trabalha com música na Secretaria de Cultura há mais de 20 anos |
O maestro Paulo Marcos Gomes Pereira pode ser considerado o “pai” da Orquestra Municipal de Bauru, já que foi um dos idealizadores do projeto (que completa 12 anos em setembro) e está à frente dele desde então. Para ele, ter um grupo de músicos profissionais em Bauru é um dos objetivos.
“Tudo começou na época do governo Nilson Costa. A Banda Municipal já existia e deu um resultado muito positivo. Foi quando um grupo decidiu criar uma orquestra nos mesmos moldes. E eu fui convidado para estar à frente da orquestra. Eu já estava na Secretaria de Cultura há bastante tempo trabalhando com música”, lembra Paulo.
No início, a grande dificuldade foi a verba, comenta o maestro, tendo em vista que uma orquestra profissional demanda um investimento bastante alto, com toda a estrutura que precisa ser montada e os salários dos músicos profissionais.
“Além disso, não tínhamos um número suficiente de músicos profissionais na cidade para montar esse grupo, precisaríamos trazer de fora. Sendo assim, nasceu a ideia de uma orquestra jovem, onde a gente fomentasse a música e incentivasse os jovens alunos a estudar os instrumentos para que, no futuro, tivéssemos condições de ter uma orquestra profissional dentro da cidade, com artistas locais”, lembra.
O que tem dado certo. Na visão do maestro, o projeto de formação musical de Bauru tem caminhado positivamente neste sentido e conquistado resultados bastante satisfatórios no cenário. Ele ainda ressalta que a Banda e a Orquestra Municipais mudaram bastante o cenário da iniciação musical do município.
Como exemplo, cita os alunos e ex-alunos que já dão aulas, tocam em orquestras fora da cidade, por toda a região, e buscam a profissionalização em universidades de todo o País. “Como instrumento de formação intelectual do ser humano, a música também acaba sendo uma ferramenta de transformação”, acrescenta.
Cursinho
Por ser um grupo jovem, há uma rotatividade considerável dentro da orquestra e banda do município. “Sendo assim, a cada semestre abrimos o curso preparatório para o ingresso. Não é preciso ter conhecimento sobre os instrumentos. Após um ano de cursinho, os estudantes podem fazer um teste para ingressar na banda e orquestra”, revela Paulo.
Apresentações
Cerca de quatro concertos oficiais da Banda e Orquestra Municipais acontecem ao longo do ano no Teatro Municipal, além das inúmeras apresentações especiais que são solicitadas dentro e fora de Bauru, como aniversários de municípios.
‘Casa da música’
O Automóvel Clube é palco de ensaios musicais diários. O prédio de 1939, com sua fachada clássica inspirada na arquitetura greco-romana e colunas imponentes, foi construído para ser ponto de encontro requintado da cidade. Sediou bailes e mais bailes de Carnaval, além de muitos outros eventos festivos.
Hoje, fechado para eventos, é aberto ao talento musical, já que é o palco de ensaios da Banda e Orquestra Sinfônica Municipais. É por lá que acontecem as aulas e os ensaios.
Localizado na Praça Rui Barbosa, 1-23, Centro, o Automóvel Club foi tombado em 28 de agosto de 2001 como patrimônio histórico municipal.
| Douglas Reis |
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| Foto antiga e atual da fachada do Automóvel Clube |
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