| Alex Mita |
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Música, gente animada e um propósito: mostrar que todas as pessoas merecem respeito, independentemente das diferenças que caracterizam a humanidade. Foi esta a mistura que a 9.ª Parada da Diversidade levou à avenida Nações Unidas, na tarde de ontem, em Bauru.
Segundo estimativas da Polícia Militar e organizadores, o evento reuniu cerca de 38 mil pessoas, entre grupos de amigos, idosos, casais de namorados e famílias inteiras que se reuniram para celebrar a riqueza das várias formas de ser.
Neste ano, a Parada trouxe, pela primeira vez, o show da Banda Uó, grupo que mistura pop e tecnobrega em canções dançantes e letras provocativas. A apresentação foi a última atividade da Semana de Combate ao Preconceito e à Discriminação, iniciada no dia 23 de agosto sob coordenação das secretarias municipais do Bem-Estar Social (Sebes) e de Cultura e da Associação Bauru pela Diversidade (ABD).
Embalado pela música eletrônica que ecoava dos trios elétricos, o evento teve início por volta das 16h30, com a execução do Hino Nacional. Entre passos de dança, demonstrações de afeto e uma leve caminhada, foram cerca de duas horas até a chegada ao palco do Parque Vitória Régia, onde drag queens e a Banda Uó se apresentaram.
Em nove anos de Parada, o presidente da ABD, Rick Ferreira, afirma que a festa busca dar visibilidade aos grupos sociais que ainda são alvo de preconceito e intolerância. “Não somos mais minoria. Se somarmos todos os negros, mulheres, idosos, deficientes e comunidade LGBT, hoje somos a maioria da população. E este espetáculo de cidadania é feito para mostrar a cultura da paz e lembrar que as políticas públicas precisam continuar avançando para proteger o direto destas pessoas”, pontua.
Lutas e avanços
Transexual, a estudante universitária Sophia Sampaio da Silva, 16 anos, participou pela primeira vez do evento, ontem, três anos depois de ter feito a transição de gênero. Naquela época, ela diz, foi alvo de muito preconceito. “Muitas pessoas achavam que era só uma fase ou que eu estava querendo chamar a atenção. Mas, hoje, elas me respeitam. Acho que a sociedade está avançando”, pondera.
| Alex Mita |
| how da Banda Uó animou o grande público |
Moradora de Recife (PE), Juliana Silva veio a Bauru e, a caminho de um passeio com um grupo de amigas, deparou-se com a Parada, onde decidiu ficar. “Vim passar uns dias na cidade e quis aproveitar a festa para curtir, mas também porque sei que o preconceito não existe apenas com gays, mas também com mulheres, negros. A mensagem que fica é que cada um deve buscar sua felicidade e respeitar as decisões que fazem os outros felizes”, observa.
A mesma opinião é compartilhada pela vendedora Fernanda Nancy, 21 anos, que estava acompanhada da namorada, Taíse Oliveira, 24 anos. “Eu até já sofri agressão. Por isso, temos de seguir lutando contra a homofobia e continuar sendo quem somos, demostrando nosso afeto em público, para que todos entendam que as pessoas precisam ser livres”, analisa.
A sociedade muda
Em meio a dois musculosos gogo boys vindos de Jaú, a professora aposentada Eulália Nunes de Almeida, 71 anos, conta que, décadas atrás, quando era uma jovem ainda descobrindo o mundo, uma cena como aquela talvez soasse como um escândalo. “A sociedade, porém, muda. E pessoas e pensamentos também precisam avançar. Somos todos seres humanos e temos de nos amar”, considera ela, que foi à Parada na companhia das amigas Carmen Olbrich, 65 anos, e Haydeé de Souza, 68 anos, esta última presidente do Conselho Municipal de Políticas para Mulheres, órgão apoiador do evento.
Para o operador de caixa Marcelo Oliveira, 35 anos, participar do evento é, além de entretenimento, também uma forma de mostrar que todas as pessoas precisam ter sua liberdade respeitada. “É preciso haver compaixão com o próximo, independentemente das preferências ou da aparência de cada um”, pontua.
