Tribuna do Leitor

Questões para o Cafeo

Marcos Paulo Rezende
| Tempo de leitura: 2 min

Ao ler um dos últimos artigos do economista Reinaldo Cafeo no JC, gostaria de lançar alguns questionamentos, reflexões e até um desafio para expor de forma mais clara alguns rumos que defende para o Brasil. Primeiro, por que devemos virar a página do que aconteceu semana passada? O governo era indefensável por toda a traição que fez com a bandeira dos trabalhadores, todo fisiologismo, mas o processo de impeachment foi dessas hipocrisias sem tamanho, e grave ao expor um presidencialismo frágil, onde um julgamento feito não por juristas, mas por um corpo político com muitos corruptos julgando uma presidente onde inventaram um crime para abafar a operação lava-jato.

Realmente uma reforma política e eleitoral é necessária, mas que seja democrática e maide or legalidade dos votos com uma emenda para Referendo Revogatório em caso de crise e mau governo, ou muda-se para o Parlamentarismo. Quando fala em cortar gastos públicos, parece lindo aos ouvidos das pessoas, mas cortar gastos aonde e quanto economiza? Visto que o Brasil não tem o mínimo de serviços públicos decentes. Diminuir o tamanho do Estado pra o tal falado Estado Mínimo é para outra reflexão. Qual dos países com os melhores IDH do mundo tem estado pequeno na economia? Estes tem duas vezes o tamanho do estado brasileiro, tanto no controle econômico, como no desenvolvimento social e nacional.

Mexer na previdência agora é uma falácia, visto que o tal déficit é comprovadamente uma farsa. Tem que ser dito às pessoas que o maior gasto público corrente do país é o pagamento dos juros da dívida, a farra dos bancos e de famílias que vivem do rentismo dos juros que fazem o grande estrago nas contas do país, cadê a defesa pela auditoria? Quais seriam as modernas leis trabalhistas para o país?

É preciso conhecer a realidade do povão brasileiro, entre as economias organizadas somos o país com a maior desigualdade social, não dá para importar modelos trabalhistas onde o equilíbrio social já foi feito, estamos longe ainda de um estado de bem-estar social. Qual seria a reforma tributária? Realmente é necessária, afinal o povão é que é massacrado com os tributos, visto que no Brasil eles são regressivos e não se tributa lucros etc.

Não dá para sentar nas commodities, como bem observado, mas política de desenvolvimento industrial não é a do Skaf, que não quer pagar impostos e agora vai tomar o pato na cabeça pois os tributos vão subir, e sim um projeto de desenvolvimento estratégico para a indústria, ciência e tecnologia, com um estado forte coordenando um bom empreendedorismo ativo.

Temos tudo nesse Brasil para ser uma potência industrial melhor que a China e não uma terra colonial, porque trabalhador não é mercadoria para se sujeitar à lei da oferta e procura. Espero ter contribuído para um bom debate de ideias que o Brasil tanto precisa faz tempo.

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