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De dez suicidas, oito avisam intenção

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Renan Casal
Professores e alunos do Sesi e centenas de cidadãos participaram da manifestação

No geral, 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos. Até porque, dentre 10 pessoas que tiram a própria vida, oito delas avisam de alguma maneira a intenção de ceifá-la. Os números foram passados por Sandra Moraes, vice-coordenadora do Centro de Valorização da Vida (CVV), que na manhã deste domingo (11) promoveu em Bauru a 2.ª Caminhada pela Vida, realizada para marcar o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, cuja data foi sábado.

No mesmo dia, uma garota de 14 anos tentou provocar a própria morte na cidade, assim como um homem de 32 em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), onde outra pessoa tomou a mesma iniciativa, na manhã de ontem (leia nesta página). 

Para que casos dessa natureza sejam inibidos, o CVV busca pelo 3º ano consecutivo a mobilização popular para a realização do Setembro Amarelo. Na mesma lógica do Outubro Rosa e Novembro Azul, o objetivo da iniciativa é chamar a atenção das pessoas à problemática do suicídio e estimular a conversa sobre a questão.

“É um tema que ainda é um tabu muito grande. Quanto mais informações, melhor. Trata-se de um alerta. Pelas estatísticas, normalmente, os homens comentem mais suicídio, justamente por usarem meios mais letais. Já as mulheres são as que mais tentam tirar a própria vida. No entanto, estão mais abertas à ajuda”, acrescenta Sandra.

Experiência

Dentre as cerca de 200 pessoas que participaram da caminhada, segundo estimativa dos organizadores, uma delas (cujo nome foi preservado para evitar constrangimentos) contou sobre o marido que, em depressão, comentou que só não se atirava do terceiro andar do apartamento onde morava porque sabia que poderia não ser letal. 

“Isso porque ele não conseguia entender que estava em depressão, nem aceitava. É muito sério. Fizemos várias mudanças. As pessoas podem achar que (o suicídio) é uma solução, mas não é”, comenta. 

Além de palavras, atitudes também podem demonstrar a intenção de pessoas interessadas em provocar a própria morte. “Às vezes, por exemplo, ela começa a arrumar as coisas para quando não estiver mais aqui. São sinais sutis, que precisamos prestar atenção”, comenta a vice-coordenadora do CVV. 

Ainda de acordo com ela, em casos de suicídio, embora não devesse, têm famílias que carregam a culpa por conta do impacto da morte. Neste caso, também devem buscar apoio e suporte.  

Caminhada

As amigas Eliane Santos, Genilda Sato e Maria Amélia Nadai participaram, ontem pela manhã, da 2.ª Caminhada pela Vida, que saiu da quadra 20 da avenida Getúlio Vargas. O trio conhece um homem que cometeu suicídio.

“É muito traumatizante até para quem não é da família”, comenta Eliane. Já Maria Amélia se prepara para tornar-se voluntária do CVV. “Ao doar-se um pouco, você também adquire alguma coisa, um conhecimento, por exemplo. É uma troca”, diz. 
Elas percorreram o trajeto, marcado ainda por atividades físicas ministradas por profissionais da Academia Saúde & Cia. Alunos e professores do Sesi apoiaram a iniciativa. O clima foi de descontração entre conhecidos e desconhecidos. No entanto, segundo Sandra Moraes, vice-coordenadora do CVV, é justamente a solidão um dos principais responsáveis pelas ligações à entidade. 

“Existe tanta facilidade de comunicação com as redes sociais e o contato pessoal?”, questiona.

A entidade

O CVV não tem fins lucrativos e atende a população por telefone, chat, e-mail, VoIP, correspondência ou pessoalmente nos postos da instituição em todo o País. O serviço é gratuito, oferecido por voluntários, que se disponibilizam a ouvir outras pessoas. Em Bauru, a instituição foi criada em março de 1982. O CVV fica na rua Nóbile de Piero, 1-3, na região central de Bauru. Contudo, ainda não atende em sua sede. Para entrar em contato com a entidade, basta ligar para o (14) 3222-4111 ou o 141. O órgão funciona das 7h às 23h, todos os dias. Outras formas de comunicação podem ser acessadas pelo site cvv.org.br. Já a página do órgão no Facebook é CVV Bauru.

Casos são registrados em Bauru e região

Na manhã deste domingo (11), um homem de 46 anos tentou tirar a própria vida, em Lençóis Paulista. Ele saltou de um viaduto da rodovia Marechal Rondon e foi socorrido com ferimentos na rua Luís Boso, no Jardim Primavera. Com sinais de embriaguez, ele foi levado consciente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Um dos bombeiros que o socorreu comentou que a vítima alegou estar deprimida por enfrentar uma doença há oito anos e por ter perdido recentemente o pai. Quebrou braço e perna esquerdos, além de sofrer escoriações na face.

No dia anterior, na mesma cidade, outro homem também tentou suicídio por enforcamento, acrescenta o Corpo de Bombeiros. Com 32 anos, só não conseguiu porque populares teriam conseguido evitar. Foi conduzido à UPA. 

Em Bauru, uma tentativa de suicídio aconteceu justamente no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, no sábado, quando uma adolescente de 14 anos tentou se jogar do viaduto de acesso ao Núcleo Gasparini. Segundo o boletim de ocorrência, era por volta das 21h, quando ela foi contida por um transeunte, que a segurou até a chegada da Polícia Militar. Na oportunidade, a menina alegou que os pais dela não aceitavam o namoro dela com um garoto de 12 anos. Para evitar constrangimentos, os nomes foram preservados.

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