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| Saída motivou cancelamento da ida de Candia à Câmara |
O presidente do DAE, Giasone Candia, deixou a presidência da autarquia nesta segunda-feira. Ele entregou sua carta de demissão ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) pela manhã, horas antes da leitura do pedido de instalação de Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal, que pretende investigar suposta “ausência de cobrança a grandes devedores” da autarquia. O pedido de investigação foi motivado por recente entrevista de Candia à TV Preve. Na ocasião, ele justificou a existência de “influências políticas” que impediriam o corte do fornecimento de água aos que possuem em aberto grandes volumes de débitos junto ao departamento.
A repercussão foi imediata, especialmente nas redes sociais, mas ganhou maior projeção desde as críticas dirigidas por parlamentares na sessão legislativa da semana passada. Desde então, oito dos 17 assinaram o documento que propõe a abertura de CEI: Roque Ferreira (PSOL), Moisés Rossi (PR), Raul Gonçalves Paula (PV), Lima Júnior (PSDB), José Roberto Segalla (DEM), Miltinho Sardin (PTB), Fábio Manfrinato (PP) e Paulo Eduardo de Souza (PSB). Diante da mobilização, estava marcada para ontem reunião de Giasone Candia com os vereadores, na qual o então presidente do DAE pretendia explicar suas declarações ao programa de televisão.
Após formalizar seu pedido de exoneração, contudo, Candia oficiou a Mesa Diretora da Câmara Municipal de que não compareceria à sessão desta segunda-feira, mas se colocou à disposição do Legislativo para, futuramente, esclarecer os questionamentos da Casa.
CARTA
Na carta dirigida ao prefeito, Giasone afirma que “jamais houve por parte de qualquer pessoa, pública ou privada, a interferência junto à autarquia por mim administrada, no sentido de beneficiar devedores”. Repetindo argumentos já apresentados pelo prefeito Rodrigo Agostinho, ele alega que a informação dada por ele na entrevista à TV Preve está incorreta. O então presidente alega que só se valeu de critérios políticos para evitar o corte de água para tratar de dívidas de “prédios de moradias populares de baixa renda”. Segundo Giasone, os demais consumidores com maiores débitos em aberto junto ao DAE, “todos em tratativa para composição administrativa”, possuem produção própria de água, não sendo a supressão do fornecimento de água uma ação passível de execução, já que suas dívidas seriam relativas a tarifas de esgoto.
“GRATO”
Rodrigo Agostinho, com quem a decisão de Candia foi construída em comum acordo, disse ontem ser grato ao trabalho desempenhado pelo então presidente do DAE, que respondia pelo cargo desde janeiro de 2013, quando deixou a chefia de Gabinete do prefeito. “Ele ficou sensibilizado com a repercussão da entrevista”, pontuou. Segundo o chefe do Executivo, com Giasone, a autarquia conseguiu renovar sua frota, minimizar os problemas no abastecimento da cidade e, nos últimos meses, rumava para recuperar seu equilíbrio econômico.
SUBSTITUTO
A partir de hoje, responde interinamente pela presidência do DAE o engenheiro civil Newton Ferro. Professor aposentado da Unesp, ele integra o Conselho Administrativo da autarquia desde janeiro de 2013, tal como Giasone Candia. O prefeito afirma que já convidou outra pessoa para assumir o cargo em definitivo até o fim de sua gestão, em dezembro. “Não divulgamos ainda porque ela pediu um dia para pensar. Ficou de conversar com a família”.
Sakai pede tempo para nomear relator
Apesar de lido, não foi a voto, nesta segunda-feira, o pedido de instalação de CEI para apurar o trato do DAE com os grandes devedores. Presidente da Comissão de Justiça, Roberval Sakai (PMB) pediu prazo de dois dias úteis para nomear um relator que deverá sinalizar se a proposta atende aos requisitos legais e constitucionais para continuar tramitando.
Vereadores favoráveis à investigação acusaram tentativa de manobra para protelar a abertura da comissão especial. Moisés Rossi (PR) e Roque Ferreira (PSOL) argumentaram que o Regimento Interno da Câmara Municipal estipula que o parecer da Comissão de Justiça deve ser dado em plenário. Renato Purini (PMDB), por sua vez, lembrou que, em casos anteriores, fora concedido o prazo para a nomeação de relator. Junto a Carlão do Gás (PMDB), acusou os entusiastas da CEI de agirem com motivações eleitoreiras.
Diante do impasse, o presidente da Casa, Lima Júnior (PSDB), submeteu ao plenário a decisão sobre a possibilidade ou não de se conceder o prazo reivindicado por Sakai. Por oito votos a sete, a maioria decidiu que sim, graças também ao votos de Artemio Caetano (PMDB), Markinho da Diversidade (PP), Natalino da Pousada (PV), Sandro Bussola (PDT) e Telma Gobbi (SD). Raul Gonçalves Paula (PV), que assinou o pedido de CEI, não estava presente em plenário e não votou.
Lima, como presidente, também não se posicionou, pois, neste caso, só votaria em caso de empate. O tucano frisou, por sua vez, que a instalação da comissão de inquérito voltará à pauta legislativa na sessão da semana que vem. Regimentalmente, ela precisa de nove votos favoráveis para ser instalada.
