Nascido no dia 11 de junho de 1927, o mais velho de quatro filhos guarda uma lembrança marcante de sua infância: aos 6 anos de idade, sua mãe sendo levada por uma ambulância preta do Departamento de Profilaxia da Lepra (DPL) e a casa onde morava com a família colocada em chamas.
Foi aos 6 anos também que começaram a aparecer as primeiras manchas decorrentes da hanseníase nos braços de seo Nivaldo, mas somente aos 15 anos ele iniciou o tratamento - com óleo de chalmugra - em segredo, no consultório de um médico particular. A esperança era de que a doença regredisse para evitar sua internação, mas, dois anos mais tarde, “faltando dez dias para completar 17 anos”, ele seria obrigado a se recolher ao Asilo-Colônia Aimorés, em Bauru.
Ao final de quatro anos de tratamento, Nivaldo esteve prestes a receber alta. A boa notícia, no entanto, foi interrompida por uma decisão contrária, que determinava a continuidade de sua internação.
A expectativa frustrada teve como sequela um trauma emocional que o deixou sem falar por 31 anos. Superado o choque, Nivaldo atualmente reside e trabalha no Instituto Lauro de Souza Lima - antigo Asilo-Colônia Aimorés.
Texto: Memórias internas - Documentário de Renato Falzoni. Nivaldo Mercúrio, seu lugar está reservado nos céus, você é nossa Estrela a brilhar nos corações da nossa família Morhan e de todos que tiveram o privilégio de poder estar junto de ti!