| Alex Mita |
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| "O segredo é evitar extravagâncias. Sempre tomei minha cervejinha, mas pratiquei muito esporte e nunca fumei" Américo Beghini |
A passos lentos, Américo Beghini chegou à varanda, local que mais aprecia na casa onde vive no Jardim Bela Vista, há 63 anos. Com sorriso largo, demonstrou simpatia e muita disposição para quem está completando 100 anos de idade nesta quarta-feira (21).
Engana-se quem imagina que o centenário já se deu por satisfeito com o que vivieu. Muito pelo contrário, ele declama amor pela vida e ainda faz planos para o futuro: “Por mim, viveria mais uns 20 anos. Viver bem e com saúde, claro”, brinca.
Um século de vida não é para qualquer um. Muito menos chegar até aqui totalmente lúcido e andando sozinho. Ainda ativo, Américo passa o dia fazendo as “coisas que mais gosta”: não dispensa um bom jogo de cartas (tranca) e acompanha notícias de esporte.
Aliás, sua grande paixão é o futebol e o time do coração: Palmeiras. Antenado, faz questão de ler o jornal todos os dias. “Meu verdão é líder (do Brasileiro)”, comemora, apontando para a matéria do JC que trazia o próximo compromisso do clube (confronto contra o Cruzeiro).
Américo fala de futebol com propriedade, pois teve sua época de atleta. Inclusive, é o único jogador vivo do Canto do Rio, primeira equipe campeã do futebol amador de Bauru, em 1944. “Eu vi todas as Copas do Mundo”, orgulha-se.
Vida em Bauru
Américo nasceu em Barra Bonita e, em 1929, com 13 anos, mudou-se para Bauru, onde constituiu carreira e família. Por 46 anos, trabalhou como operador na indústria Granoplast. Em 1 de julho de 1950, casou-se com Maria Aparecida Gigliotti Beghini.
O dois tiveram quatro filhos e sete netos. O filho mais velho, Edson Luiz, morreu aos 24 anos em um acidente de carro. “A parte negativa de viver bastante é testemunhar a morte de familiares e amigos e você ir ficando”.
A esposa Maria Aparecida enxerga no marido um exemplo de bondade e caráter. “Um guerreiro que, até hoje, gosta de ajudar as pessoas”, orgulha-se. Mas qual seria o segredo da longevidade de Américo? Ele não se importa em compartilhá-lo. “Não fazer extravagâncias. Sempre tomei minha cervejinha, mas pratiquei muito esporte e nunca fumei. Esse é o caminho”, ensina.
