Se não tenho assunto, como vou escrever uma crônica? Não é possível! Os assuntos estão borbulhando! Então, por que não encontro um? Achei que deveria escrever sobre os anúncios de liquidação em diversas vitrines de lojas. Mas como a maioria está em inglês, fico imaginando se há tantos estrangeiros procurando fazer compras no nosso comércio. Há poucos dias, andando pelo shopping, em quase todas as vitrines, li: "Sale, até 50 por cento off!" Eu, que quase não entendo nada de português, como poderia entender os dizeres acima? Afinal, quem sou eu para reprovar o desejo do lojista que pretende vender para um estrangeiro? Não é assunto para uma crônica.
Outro assunto que me desperta são os acidentes de trânsito, principalmente com motoqueiros que morrem diariamente pelo simples fato de não respeitar a sinalização. Em quase todos os acidentes que as pessoas perdem o controle dos seus veículos, as autoridades dizem que irão investigar as causas, mas todos deduzimos que, se estivessem dentro dos limites da velocidade permitida, o número se reduziria a zero e a famosa mureta de contenção de limite de velocidade não sofreria tanto. Felizmente, não sou técnico de trânsito, e também não é motivo para crônica, censurar alguém que gosta das emoções com alta velocidade.
Estacionando meu carro em um local próprio para tal, outro dia, vi dois funcionários com seus jalecos saindo dos prédios em direção ao estacionamento dos veículos, acendendo cada um os seus cigarros, já que dentro das instalações não é permitido fumar. O setor de fisioterapia do hospital, em cuja sala de espera se vê pessoas com aparelhos respiratórios, em cadeiras de rodas, com pernas amputadas, entubadas, tem à sua frente uma área de trânsito de pedestres e diversos jardins. Mas o que me chamou mais atenção foram os números de gimbas (bitucas de cigarros) espalhadas pelos acompanhantes dos pacientes, quando não, pelos próprios. Mas como vou fazer uma crônica sobre isso, se não sou médico e nem sei se realmente o cigarro causa câncer?
Então, amigos, não vou fazer crônica alguma, mas pelo menos me fez lembrar a passagem de um velho amigo (bota velho nisso, pois ele tem pelo menos vinte anos a mais que eu), que, um dia, parou junto à bomba de gasolina para abastecer sua velha Belina e, quando estava prestes a sair, um jovem, com seu Chevette incrementado, entrou rapidamente à sua frente e, inevitavelmnte, os parachoques se entrechocaram, mas sem danos. O jovem saiu precipitadamente do seu "bólido" e veio até meu amigo, dizendo: "Espera tio, vamos conversar!" Ao mesmo tempo que começava a funcionar sua Belina, meu amigo, que tem a voz de soprano, saiu com essa: "Para com isso, meu filho! Hoje, eu tô tão sem assunto..."