Tribuna do Leitor

"Semana Nacional do Trânsito"


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O Código de Trânsito Brasileiro contemplado em 1997 determina que no período 18 a 25 de setembro seja comemorada todos os anos a Semana Nacional do Trânsito e, dessa forma, está sendo conduzida para sensibilizar os brasileiros a respeito da importância de se fazer um trânsito mais consciente e mais humano. Pois bem, embora os órgãos e entidades do sistema tenham realizados com ênfase esse evento, pelo menos é o que se vê na mídia televisada a nível nacional, e trabalho mais consistente em algumas regiões, como operações fiscalizadoras, palestras e eventos diversos educativos, contudo, contribuindo na formação de uma consciência sólida.
Diante do contexto, é sabido que na nossa região nesse período as instituições públicas e mistas vêm se multiplicando na busca de um trânsito menos violento.
Na minha humilde capacidade, entendo que esse padrão funcional seria de grande valor se os órgãos públicos responsáveis pela segurança do trânsito desenvolvessem trabalho com a mesma euforia todos os dias durante o exercício anual e não somente no mês de setembro. Agindo assimm enaltecendo os trabalhos nesse período de comemoração, entendo que é como tapar o sol com a peneira, pois é notório e real que a violência no trânsito no Brasil é brutal e assustadora.
Sabemos que a violência no trânsito no Brasil, considerando a estatística de mortes, ocupa o quarto lugar em comparação ao mundo, então, não consigo entender o porquê de esses órgãos públicos que têm o dever de zelar pela segurança vendem essa falsa modéstia do faz de conta. Os números apontam 45 (quarenta e cinco) mil mortes ou mais ao ano, na realidade, os brasileiros enfrentam diariamente uma guerra no trânsito, uma guerra de destruição onde não há vencedor.
Não pretendo ser intransigente, mas estamos transitando na contramão das vias e certamente a colisão será inevitável se não mudarmos as nossas atitudes e os responsáveis pela segurança no trânsito buscarem uma metodologia diferente investindo maciçamente na educação, infraestrutura, fiscalização e justiça sólida, acabar com a impunidade. Esperamos muito mais das autoridades do que simplesmente comemoração da Semana Nacional de Trânsito, quer atitudes, braços fortes, fiscalização constante e eficácia todos os dias. Chega de demagogia, faz de conta, hipocrisia, pois para diminuir essa brutal violência no trânsito precisa de muito mais, ou seja, desenvolver a trilogia dos "Es", como:
I. Educação, gerar comportamento estrutural, forte e processual construindo o alicerce sólido, investindo nas crianças na idade escolar, formando adultos conscientes, criando matéria curricular até o nível superior, ou, ao contrário, vamos fortalecer e conviver com a violência no trânsito. Muitos não conhecem os problemas do trânsito e o grau de violência gerado em troca da mobilidade, que é um direito de todos. Essa guerra tirou a vida de 60.752 (sessenta mil e setecentos e cinquenta e dois) pessoas no ano de 2012, no Brasil, conforme dados oficiais do DATASUS, IBGE e DPVAT, publicados e gastando um montante de 50 (cinquenta) bilhões de reais.
II. Engenharia, segmento de infraestrutura, investimento na construção e manutenção de rodovias e vias urbanas, sinalização viária e corretas e eficazes, bem como veículos etc.
III. Esforço legal abrangente mudando comportamento do cidadão desde o presidente da República ao mais simples usuários da via. O trânsito precisa contar com ações fortes, fiscalização constante, regular e firme, sem rodeios e corporativismo.
Pois bem, comemorar a "Semana Nacional de Trânsito" deve acontecer, sim, comemorando a vida, a paz e entendimento entre os usuários da via. O Brasil já ocupou o primeiro lugar em mortes no trânsito, no ano de 2012. O trânsito em condições segura é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades do Sistema Nacional, conforme consta no artigo 1º, § 2º do Código de Trânsito Brasileiro. Cabe ao estado transformar a matéria trânsito em processo sólido, eficiente e contínuo, entre governo e sociedade, o resto é demagogia e se acreditarmos no que aí está, certamente colheremos sepulturas.
Antônio Carlos Rodrigues

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