Caminho abraçada às flores
da bordadura dos meus canteiros.
Ouço na brisa o ruído das cores,
nos pés o estalar das folhas
secas do outono, nas mãos
colhedeiras minha primavera.
No néctar que deixo, pousa em
mistérios, borboletas sonhadoras.
Nas pegadas, ramalhete de
sonhos em botões, espalho,
como peregrina sementeira.
Voa o pólen de flores
parasitas que enlaçam a alma
de amores e aromas.
Sou poema das cores
da montanha que transponho,
do orvalho azul da paz,
das águas que cantam.
Sou esperança que hiberna
no inverno como videira,
e floresce na primavera.
Nos galhos secos retorcidos implodem
flores frisadas em sensibilidade,
como a pele que me veste.
É primavera!