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Temer tenta passar a imagem de neutralidade

daniel carvalho
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Brasília - Enquanto a cúpula do PT e o ex-presidente Lula se empenham para reduzir os danos de uma derrota que pode ser acachapante para o partido, o núcleo do governo Michel Temer se esforça para passar a imagem de neutralidade nas eleições municipais.

A narrativa do Palácio do Planalto contou com orientação direta do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Antes do início da campanha oficial, em agosto, ministros receberam recomendações do braço direito de Temer sobre o comportamento na disputa.

A lista contava com itens como não subir em palanques onde houvesse enfrentamento de candidatos de diferentes partidos da base aliada, na tentativa de evitar um racha entre as 18 siglas que apoiam o governo.

Nem os mais próximos seguiram à risca a cartilha. O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), viajou à Bahia nas últimas semanas para participar de campanha e gravar depoimentos a candidatos.

Geddel, que em Salvador apoia a reeleição de ACM Neto (DEM), afirmou não ter havido monitoramento. "Ministro não precisa de babá."

Na prática, porém, a vista grossa do Planalto aos ministros permitiu episódios como o que envolveu o titular da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR). A Folha de S.Paulo revelou que ele fez promessas vinculadas ao governo em atos de candidatos no Paraná.

O esforço velado do Planalto é para manter ou ampliar sua base pelo país, mas o líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), diz não estar preocupado com mudanças no apoio a Temer.

O líder não seguiu a orientação e fez campanha para a mulher, Lara Moura (PSC), candidata a prefeita de Japaratuba (SE). Entre os adversários dela está o atual prefeito, Hélio Sobral, do PMDB, partido de Temer.

Com a imagem desgastada pela Lava Jato e o impeachment de Dilma, o PT tenta manter alguma influência nas eleições municipais para ter fôlego em 2018. A sigla, porém, encolheu em 45% as candidaturas em relação a 2012 -hoje são 971, ante cerca de 1.700 há quatro anos.

Para Florisvaldo Souza, secretário de organização do partido, o encolhimento petista se deu porque o período em que é permitido o troca-troca partidário coincidiu com a votação do impeachment na Câmara e a condução coercitiva de Lula na Lava Jato.

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