Tribuna do Leitor

Dia do Idoso

Maria Dvanil D'Ávila Calobrizi - gerontóloga social e professora do Curso d
| Tempo de leitura: 3 min

No dia 1º de outubro celebrou-se o Dia do Idoso. Inicialmente coloco uma reflexão para vocês: os idosos têm algo a comemorar no seu dia? Analisando a situação do idoso no Brasil hoje, podemos verificar muitas conquistas, por exemplo os avanços da medicina, os tratamentos preventivos, as vacinações e as melhorias na qualidade de vida.

Você sabia que a população de idosos não para de crescer? No Brasil, são mais de 25 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Daqui a 20 anos, essa população deve dobrar. O motivo? As conquistas nas várias áreas que os idosos tiveram nos últimos anos.

Pensar na velhice é tarefa de todos, não só dos idosos, mas também dos jovens. Infelizmente existe muito preconceito em relação aos idosos e onde há preconceito tem muito desconhecimento. Só discrimina os idosos quem ignora o que eles representam para a sociedade. A idade está associada à sabedoria e à experiência. Erra quem diz que todo idoso é uma pessoa frágil e sem autonomia. Hoje os idosos tem um leque de atividades que podem desenvolver nos mais variados grupos espalhados pela cidade. Atividade física, mente ocupada com coisas positivas que possam trazer alegria e boa saúde é o que se recomenda para uma vida mais longa e mais feliz.

A velhice é apenas mais uma fase da vida e uma fase que pode ser bem longa. Com tantos avanços a chamada terceira idade esticou bastante e hoje é comum nos depararmos com pessoas de 90 ou cem anos... a famosa quarta idade.

Aprender a envelhecer faz parte da educação de todas as pessoas, negar ou discriminar a velhice nada mais é do que ignorar o caminho natural da vida. Nesse caso você tem duas escolhas: morrer jovem ou envelhecer com dignidade, com aceitação dessa fase da vida que hoje é cheia de possibilidades, basta não se acomodar e ir atrás delas.

É fato também que, viver mais foi uma conquista, agora envelhecer com qualidade de vida ainda é um desafio que ronda a nossa porta.

De nada vai adiantar aumentar o número de centenários se a Política da Saúde, Assistência Social, Habitação, etc. não derem conta de bancar com dignidade todas as necessidades dessa população que tem muitos planos para quando a aposentadoria chegar.

A criação do Estatuto do Idoso em 2003 representou um grande avanço na vida dos idosos, que frequentemente são vítimas de maus-tratos e abusos de todas as formas. Esse estatuto estabeleceu os direitos dos idosos, como a prioridade em alguns serviços e a garantia de acesso à saúde, alimentação, educação, cultura, lazer e trabalho.

A partir do Estatuto do Idoso, também ficou estabelecido, entre outros pontos, que é crime:

- Discriminar a pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, dentre outros;

- Abandonar o idoso em hospitais, casas de saúde, instituições de longa permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, quando obrigado por lei ou mandado.

- Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado.

- Negar a alguém, por motivo de idade, emprego ou trabalho.

- Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa de sua finalidade.

- Exibir ou veicular, por qualquer meio de comunicação, informações ou imagens depreciativas ou injuriosas à pessoa do idoso.

- Coagir, de qualquer modo, o idoso a doar, contratar, aqui muito cuidado com o empréstimo consignado das aposentadorias, atendendo muitas vezes às pressões de familiares.

Faça do Estatuto do idoso o seu livro de cabeceira, leia, estude, pergunte sobre ele, peça esclarecimentos, divulgue...

Denuncie quando seus direitos forem negados!

Deixo aqui uma mensagem, com os mais respeitosos cumprimentos pelo Dia do Idoso:

"Aceite-se tal como você é, incondicionalmente! Você não é do tamanho da sua conta bancária, do bairro onde mora, da roupa que usa ou do tipo de trabalho que faz. Você é, como todo mundo, uma mistura extremamente completa de capacidades e limitações."

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