Tribuna do Leitor

Existe vida após a eleição?

Maestro Alexei Lisounenko
| Tempo de leitura: 4 min

No final da tarde do dia 2 de outubro de 2016 chegou ao fim o sonho de mais de 260 candidatos a vereador e quatro a prefeito na cidade de Bauru. Foram eleitos os 17 próximos vereadores e dois candidatos estão no segundo turno na disputa pela principal cadeira do Executivo bauruense. Para responder à pergunta inicial vamos voltar no tempo, mais precisamente ao dia 16 de agosto de 2016. Após meses de articulações e convenções partidárias é dada a largada na corrida eleitoral.

Devido à nova legislação eleitoral, com regras mais rígidas, e também à perspectiva de encontrar um eleitor mais resistente às campanhas e políticos, os candidatos começaram suas campanhas de forma mais tímida e com muito cuidado para não espantar os possíveis eleitores. Nas duas primeiras semanas, muitos candidatos ainda nem possuíam conta bancária e consequentemente nada de material para divulgar a sua campanha. O eleitor que estava atento percebeu que a campanha começou a mostrar a sua forma somente no início de setembro. Com a restrição de doações de empresas o abismo de recursos de um candidato para o outro ficou menor.

Com menos dinheiro, o resultado foi uma campanha mais pobre, e consequentemente, uma campanha mais limpa. Cabia a cada candidato valorizar o seu pouco material e abusar da sola de sapato e saliva. O corpo a corpo foi feito por muitos, alguns quilos foram perdidos, o sol judiava do candidato que corria as ruas, pontos de ônibus, feiras e seus redutos de amigos, conhecidos e potenciais eleitores. Muitos, já próximo ao dia da votação, mostravam sinais de exaustão e alguns até se diziam arrependidos. O eleitor foi variado, alguns sorriam para os candidatos e recebiam a sua abordagem com gentileza, outros aproveitavam para humilhá-los, como vingança pela má fama dos políticos, amassando o "santinho" e jogando o na rua.

Uma pena que os eleitores, em sua maioria, não saibam que grande parte dos candidatos a vereador nunca ocuparam um cargo político e, consequentemente, não contribuíram para o quadro político atual, e assim, acabam por tachar de que todos são iguais, desprezando potenciais mudanças. Mas voltemos à campanha, passeatas no calçadão, muito café, gravações, replanejamento da estratégia para alcançar o eleitor e finalmente o dia 1 de outubro, dia em que às 22h cessou a propaganda e começaram os momentos mais tensos.

Será que me esqueci de alguém? Será que deveria ter voltado a aquele bairro, casa? Fiz o meu melhor? Será que aquele eleitor vai se lembrar do meu número e não confundirá com o do colega de partido? Passada a noite de insônia para uns e de sono pesado causado pela exaustão a outros, finalmente é chegado o grande dia. Muita ansiedade no domingo ensolarado. Apesar da rigorosidade da nova lei foram encontrados alguns "santinhos" jogados no chão perto dos pontos de votação. Alguns candidatos ficaram na porta dos colégios, outros rodavam pela cidade para serem vistos e muitos não conseguiram sair de casa. Fechadas as urnas exatamente às 17h, e iniciada a contagem, muitos já roíam as unhas com as mudanças constantes de posição. Finalmente sai o resultado e vem a alegria dos 17 eleitos à Câmara. Aos demais candidatos ficam os mais variados sentimentos, o de vazio, de conformismo, de terem sido traídos, de decepção, de que deveriam ter se esforçado mais.

Enfim, a noite do dia 2 de outubro foi um divisor de águas para muitos dos candidatos. Esta foi uma noite de refletir sobre o que as urnas disseram para os eleitos e, principalmente, aos não eleitos. Passado o choque do resultado, o candidato se pergunta: Será que valeu a pena todo o trabalho e desgaste? Será que o não reconhecimento do seu trabalho de anos na cidade reflete a sua real importância? Ao amigo leitor e principalmente aos candidatos não eleitos, a vereador ou prefeito deixo o seguinte texto: "Uma hora ou outra o destino se ajeita, as coisas se acertam, o passado é esquecido, as dores cicatrizam. Quem tem que ficar fica, o que é verdadeiro permanece, e o que não é some. Não tenha pressa, não guarde mágoas, não queira pouco. Sempre queira o melhor. Espere na sua. A prenda a ser paciente. Aprenda a ouvir uma boa música quando a tristeza bater. Aprenda a ignorar o que te faz mal. Aprenda, sobre tudo, a ter fé. Fé de que , por mais difícil que seja, o universo sempre irá conspirar a seu favor."

E respondendo à pergunta do título, sim, existe vida após a eleição, alguns, continuam vivos, outros se lamentarão até o próximo pleito, mas muitos nasceram para uma nova vida e renovados passarão a desenvolver um trabalho muito maior. Por isso, sugiro aos colegas candidatos que continuem o seu trabalho social, pois ser eleito não deve ser a sua finalidade principal. Ser eleito deve ser um dos muitos meios para tornar esta sociedade mais justa e fraterna. Um grande abraço.

 

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