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Obesos não dispõem de programas de saúde em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A obesidade é uma condição que aumenta o risco de várias doenças, entre elas a pressão alta, a diabetes e o colesterol. No Brasil, 60% da população está acima do peso, o que reflete a importância da prevenção e do estímulo aos hábitos e alimentação saudáveis. Em Bauru, no entanto, ainda não há um programa de saúde voltado aos obesos. O atendimento de quem quer ou precisa se tratar  depende da rede de atendimento comum. Nesta terça-feira (11), inclusive, comemora-se o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade.

Um dos maiores problemas é que grande parte dos casos só chega ao conhecimento clínico quando o paciente já apresenta algum problema de saúde e procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber encaminhamento a um médico especialista. Ou então, quando a pessoa é cadastrada no chamado Sistema de Vigilância Alimentar Nutricional, como é o caso dos beneficiários do Programa Bolsa Família, que são monitorados como condicionalidade para a concessão do auxílio.

“Não temos um programa específico para a obesidade, acompanhamos o quadro clínico do usuário da unidade de forma geral. Tratamos o bem-estar da pessoa como um todo, não só a obesidade. Nos casos em que há necessidade, o encaminhamento é feito”, ressalta o médico Pedro Luiz Pereira, diretor do Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle da Secretaria Municipal de Saúde.

A prefeitura possui 17 nutricionistas, que revezam atendimento em toda rede, contando com as 23 UBSs da cidade. O atendimento é feito por meio de agendamento. O tempo médio de espera não foi informado pela prefeitura.

SEM AMPARO

Fala de atendimento especializado que para a manicure Fernanda Alves faria toda a diferença. Foi depois do primeiro filho, gerado ainda aos 14 anos, que ela começou a engordar. Hoje, aos 41 anos e com 102 quilos, Fernanda deposita todas as suas expectativas em uma cirurgia bariátrica para ter uma vida “normal”.

Ainda jovem e sem saber onde procurar ajuda especializada, ela conta que, por muitos anos e por conta própria, ingeriu medicações diversas para emagrecer. “Mas, quando parava, eu engordava o triplo”.

O acompanhamento médico veio apenas depois dos 35 anos, quando ela começou a sentir dor intensa nos pés decorrida do sobrepeso. “Eu não conseguia mais andar. Passei por clínicos, por ortopedista e, finalmente, pelo endócrino. Readequei minha alimentação, mas nenhum tratamento surtiu efeito”, conta Fernanda.

Em julho deste ano, em tratamento no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), ela iniciou a preparação para realização da cirurgia bariátrica. “A obesidade deveria ter uma atenção especial do poder público. É um sofrimento, é uma doença que afeta a qualidade de vida. Só hoje, com 40 anos e com a expectativa da cirurgia, eu me sinto amparada”, comenta.

CIRURGIAS

O Estado, por meio do Departamento Regional de Saúde (DRS), confirma que também não dispõe de programa específico para atendimento de pessoas com obesidade. E que recebe os encaminhamentos para endocrinologia, dos casos de alta e média complexidade, por meio do fluxo normal de pacientes. A Secretaria de Saúde do Estado diz ainda que a rede básica do município é a responsável pela orientação da população.

A responsabilidade do Estado recai sobre a realização de cirurgia bariátricas, que ocorrem de acordo com a regulação de vagas e com a gravidade de cada caso. “Ressaltamos que a cirurgia bariátrica é o último recurso utilizado no tratamento para obesidade, que inclui um suporte ambulatorial e multiprofissional”, diz, em nota, a pasta. Em 2015, foram realizadas 1.605 cirurgias bariátricas gratuitas no Estado.

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