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Aos secundaristas

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

A educação é um instrumento essencial para se enfrentar os grandes desafios do mundo e para formar cidadãos capazes de construir uma sociedade mais justa e aberta, baseada na solidariedade, no respeito aos direitos humanos e no uso compartilhado do conhecimento e da informação. A educação é, ao mesmo tempo, um elemento insubstituível para o desenvolvimento social, o crescimento econômico, o fortalecimento de uma identidade cultural, a manutenção da coesão social, a luta contra a pobreza e a promoção da cultura da paz.


A educação laica, gratuita e de qualidade é um bem social e um instrumento chave para a transformação e modernização da sociedade. Hoje a educação deve ajudar as pessoas a realizar tarefas para as quais não foram formadas, a preparar-se para uma vida profissional que não terá um caráter linear, a melhorar sua aptidão para o trabalho em equipe, a desenvolver sua capacidade de improvisação e sua criatividade. Enfim, a educação deve ajudar as pessoas a forjar um pensamento crítico em relação ao mundo em que vivem.


A educação precisa dar ao educando ferramenta intelectual que lhe permita adaptar-se as incessantes transformações do mundo laboral e a rápida obsolescência do conhecimento. A habilidade mais competitiva será a de aprender e a aprendizagem será a matéria prima estratégica para o desenvolvimento de qualquer nação. Toda reforma, em qualquer nível da educação, necessita introduzir métodos pedagógicos baseados na aprendizagem para formar graduados que aprendam a aprender e a empreender. A educação é assunto para toda vida e precisa promover o espírito da indagação, da cooperação e da convivência.


A educação precisa mostrar a primazia do grupo sobre o indivíduo, nela deve prevalecer a dimensão espiritual do desenvolvimento em relação à dimensão material. Espiritual, aqui, engloba as dimensões cultural, moral, ética, a solidariedade, a compreensão, a tolerância, a responsabilidade em relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. A educação precisa ser o cimento da construção do desenvolvimento humano sustentável.


A responsabilidade do ensino secundário é imensa porque é durante essa fase da vida escolar que o futuro do aluno ganha forma. Portanto, as nossas escolas públicas de ensino médio precisam abrir-se mais ao mundo e permitir que cada aluno corrija o seu percurso em função da sua evolução cultural e escolar.


No entanto, nossas escolas públicas de ensino médio enfrentam, em todas as partes do País, desafios e dificuldades: de infraestrutura, de financiamento, de igualdade de condições de acesso aos estudos, de uma melhor capacitação de seus professores que, por sua vez, padecem com jornadas estafantes e salários indignos. Enquanto esses desafios não forem superados, enquanto a pobreza, a fome, o desrespeito, a violência e a droga entrarem com os alunos nos estabelecimentos de ensino, nenhuma reforma, de fato, será possível, o Brasil continuará sub educado e sua educação subfinanciada.


Investir em educação não é apenas uma despesa social, mas, um investimento econômico, gerador de benefícios a longo prazo. Investir em educação é investir no futuro, um futuro sem desemprego, sem exclusão social e desigualdades. É um investimento que deve ser protegido, mesmo em períodos de crise, por conta das crescentes necessidades ligadas ao crescimento demográfico e do grande atraso na escolarização.

O autor é professor titular aposentado do Depto. de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp

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