Tribuna do Leitor

Guerra nas sombras

Eli Elias - licenciado em filosofia
| Tempo de leitura: 2 min

Para quem gosta de saber sobre notícias internacionais, sempre saltam à vista matérias sobre o que está a acontecer em Aleppo, capital da Síria, onde, segundo fontes ocidentais, centenas de crianças daquele país teriam sido mortas por intensos ataques aéreo russos nos últimos dias. Isso os jornais normalmente noticiam, mas não é o que quero chamar atenção aqui, e sim pretendo focar no que chamarei de “Guerra nas Sombras”. Primeiro, precisamos lembrar que o desfecho do conflito é um desdobramento do que o mundo cognominou de “Primavera Árabe”.


Esta foi uma sucessão de protestos políticos que iniciou na Tunísia (2011) estendendo-se até a Líbia, culminando na queda de diversos ditadores que conduziam seus respectivos governos para uma direção que não atendia aos interesses do ocidente e do sistema capitalista. Tal movimento (que dizem ter sido instigado pelos EUA) é sabido que começou nas redes sociais, principalmente com o Facebook e ganhou cada vez mais força popular alcançando seu objetivo: o de destronar vários ditadores. Estes, estranhamente na época de sua derrubada, organizavam-se a fim de criar um bloco econômico para regular o preço do barril de petróleo.


Contudo, o movimento e as ondas de protestos, ao chegarem no Oriente Médio, principalmente na Síria, têm encontrado entraves que freiam sua rápida expansão: a intromissão do governo de Moscou, que atendeu o pedido de socorro de Bashar al-Assad. A Rússia, como não poderia ser diferente, vê com preocupação esses tradicionais regimes totalitários terem se tornado, em curto período de tempo, em estados democráticos de direita, prontos para alojar empresas capitalistas (McDonald’s, Wal-Mart, Exxon, etc) modificando o modo de vida das pessoas para adotarem consumismo ocidental que coisifica o homem transformando-o em androides de fábricas e do sistema mundial espoliativo. E nessa óptica, é possível também entender a questão da crise da Criméia...

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