Tribuna do Leitor

Tributo ao mestre e amigo

Por Selma Guardiano Swenson ? aluna da Uati | USC
| Tempo de leitura: 2 min

Quando nos conhecemos, o milênio anterior entrara em sua segunda fase. Ele se impunha pela sua personalidade e o seu modo de ser. Devia ter pouco mais de 50 anos. Mais tarde notei que não me enganara, pois um dia ele contou que nascera no início do século 20, precisamente a 6 de abril. Logo no início do ano ele aplicou um teste para avaliar nossos conhecimentos. Obtive 9,5. Ele teceu grandes elogios.

A partir daí nossa amizade foi crescendo. Ele ensinava com autoridade, fazia de sua aula um ambiente agradável e descontraído. Costumava usar alguns bordões, que assim que começávamos nós concluíamos. Citarei alguns. “Se bem pensou... Melhor executou”. “Voltou tudo como dantes... No quartel do Gal. Abrantes.”

Às Vezes lançava questões que exigiam grandes pesquisas e dizia: “Quem me trouxer a resposta primeiro vai ganhar dez.” Eu nunca consegui, embora me esforçasse. Um dia perguntei-lhe: “Em qual universidade o senhor se formou?” Ele riu muito e respondeu: “Vocês nunca vão adivinhar. Eu sou farmacêutico, formado pela Faculdade de Farmácia de ITU. Um dia prestei concurso para lecionar, fui classificado em 1º lugar e escolhi o Ginásio do Estado Ernesto Monte e aqui estou.’’  

   

Certa vez me falou: “Se eu pudesse deixar meu cargo de herança em testamento, escolheria você”. Outra vez me surpreendeu contando uma visão que tivera: “Foi visão, não sonho”, salientou. “Eu vi você junto com o vigário da Sta. Terezinha distribuindo a comunhão”. Então foi a minha vez de achar graça. Retruquei: “Isso é uma coisa impossível, professor, por dois motivos. 1 - Sou protestante. 2. Sou mulher. Nunca terei vez.’’ Mas sempre ele encontrava uma resposta. “Um dia você se converterá ao Catolicismo! Não vai demorar muito e as mulheres serão reconhecidas e terão seu lugar na Igreja Católica.”


Durante nove anos ele foi meu professor de História, ensinando-me além da sua disciplina como viver a vida, enfrentar problemas, ser como ele, amigo dos alunos. Nos deu um exemplo a ser seguido, não apenas imitado. Por esses e muitos outros motivos é que trago a sua imagem diante dos meus olhos. E o seu nome no meu coração.


Atualmente, é o patrono de uma escola em Bauru: E. E. Prof. Moraes Pacheco/José de Moraes Pacheco, meu mestre e meu amigo, a quem eu presto meu tributo de Saudade e Gratidão.

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