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| Fazenda Lageado pertencente à Unesp |
"A Estação Experimental de Café de Botucatu e as transformações na Cafeicultura Nacional na Era Vargas (1934-1945)", de autoria de Jefferson de Lara Sanches Junior, é fruto da dissertação de mestrado, defendida no programa de pós-graduação em Política Científica e Tecnologia, vinculado ao Instituto de Geociência da Universidade Estadual de Campinas.
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Fazenda virou faculdade da Unesp
As Estações Experimentais Lageado e Edgárdia, formadas por área contínua, constituíam antigas propriedades particulares produtoras de café
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| Museu do Café é um dos principais pontos turísticos de Botucatu, onde foi a Estação Experimental |
As Fazendas Experimentais Lageado e Edgárdia, formadas por área contínua, constituíam antiga propriedade particular produtora de café, em meados do século passado. As duas abrigam atualmente, a Faculdade de Ciências Agronômicas e Medicina Veterinária da Unesp.
A Fazenda Experimental Edgárdia, localizada parcialmente na “Cuesta” de Botucatu, abarca o desenvolvimento de atividades zootécnicas e de conservação das matas naturais, recobrindo mais de 500 ha, englobadas em área de Proteção Ambiental (APA).
Do passado há inúmeras lembranças ‘vivas’. As instalações antigas estão em uso. As antigas moradias sediam núcleos e unidades de serviço.
A “Casa Grande” é utilizada pelo Museu do Café. Um dos mais completos acervos históricos da região, cujo objetivo é o de preservar, recuperar, organizar e expor ao público, especialmente a população escolar de 1º e 2º grau seu acervo arquitetônico, documental, de peças e máquinas antigas, vinculado ao café e sua história no espaço regional.
Com raízes da escravidão, a área é de valor paisagístico inestimável. Hoje, convive harmoniosamente com modernos prédios, em sua maioria constituídos a partir da década de 1970. Eles abrigam sedes departamentais, diretoria e administração, central de salas de aula, laboratórios, casas de vegetação, equipamentos de esporte e lazer, etc.
Segundo o historiador João Carlos Figueiroa, a ‘Casa Grande’, antiga sede da Fazenda Lageado era o coração da propriedade. “Toda a fazenda foi preservada. É a memória das antigas propriedades de café. Durante um longo período essa área foi grande produtora de café”. O Museu do Café e a área histórica são um dos principais pontos turísticos da cidade e região.
Recebe visitantes dos municípios do interior paulista, de outros estados brasileiros e estrangeiros. Desde 2006 quando passou a ser administrado e inserido em um projeto, foi visitado por quase 150 mil pessoas. O público é principalmente formado por alunos e pesquisadores.
O conjunto arquitetônico, típico das fazendas do interior paulista, ocupa uma área de aproximadamente 890 alqueires. Possui grande extensão de vegetação de grande porte e de excepcional beleza, com muitos exemplares de madeiras nobres e de lei (peroba, cabreúva, ipês, cássias, jacarandás e cedro). A fazenda é cortada pelo Rio Lavapés e outros riachos.
Até a década de 70, as fazendas Lageado e Edgárdia abrigavam a Estação Experimental Agrícola do Ministério da Agricultura. Nesse período foi responsável pelo desenvolvimento de pesquisas e experimentos técnico-científicos na área da cafeicultura. Foi construída baseada nas características do século XIX, como o paiol, o moinho e a estrutura do parapeito do terreiro de café- na tradição do seu colono italiano.
A arquitetura romana é predominante com maquinários e outras instalações da época da Estação Experimental Agrícola. Além da história, o museu abriga diversas exposições artísticas em seu espaço cultural. Abriga ainda artefatos arqueológicos obtido na área da fazenda e na região de Botucatu por meio do Projeto Arqueologia no Campus.
Botucatu foi escolhida pela localização geográfica no início da Alta Sorocabana
| Aceituno Jr. |
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| Arado e objetos do período da cafeicultura é possível conhecer no Museu do Café de Botucatu |
Na pesquisa de Jefferson Sanches é explicado no final do trabalho apresentado na Unicamp que, Botucatu foi a cidade escolhida para abrigar a Estação Experimental para centralizar os esforços do governo federal em ciência e tecnologia na cafeicultura e por sua infraestrutura, como estradas de ferro e de rodagem, e por sua localização geográfica, situada no início da Alta Sorocabana e de fácil acesso à Alta Paulista, Noroeste e Norte do Paraná, regiões às quais o café se espraiava e despertava maior atenção na luta por sua qualidade.
No município, a propriedade escolhida foi a composta pelas fazendas Lageado e Edgárdia, tradicionais unidades produtoras da região. As atividades iniciaram-se em 1934 e sua inauguração, no ano de 1935, recheada de muita expectativa, por acreditarem ser aquela a instituição que possibilitaria a solução do problema da qualidade do café brasileiro e, por conseguinte, da concorrência internacional.
Além do caráter técnico da escolha, assim como o seu congênere campineiro, a Estação Experimental de Botucatu foi uma consequência direta da marcha do café pelo Estado de São Paulo. Fundado em fins do século XIX, o IAC tinha por finalidade atender a uma região cujo crescimento das plantações de café se dava de forma considerável, sendo para isso necessária a existência de uma instituição que concedesse o suporte científico para isso.
| Aceituno Jr. |
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| José Eduardo Candeias mostra sacas de café que estão no recinto do Museu do Café |
Em Botucatu, podia constatar uma situação semelhante, nos anos 1930: uma instituição de pesquisa em uma região que possibilitaria o atendimento das novas regiões, com o diferencial de que agora o governo federal tomava as rédeas e o agravante de se tratar de uma região produtora de um café de baixa qualidade, diferentemente do que havia nas zonas atendidas por Campinas. Aliado a isso, havia ainda o fato de que a estação botucatuense foi instalada em um período de crise na cafeicultura e parte das esperanças de salvação da produção nacional passava por ali. Sob esse prisma, a instalação de uma estação experimental para o café em Botucatu se deu em condições muito mais adversas do que em outras situações; contudo, inserindo-se como fruto da expansão cafeeira em São Paulo.
Segundo Sanches, as atividades na Estação Experimental de Botucatu se iniciaram, porém a ausência de recursos e a intermitência do corpo de técnicos e de diretores, aliadas ao fato de ainda se manterem centenas de milhares de pés de café em produção, prejudicavam de forma considerável o seu desenvolvimento.
Durante o período, pesquisas sobre a inoculação de levedos de zonas produtoras de cafés “moles” em cafés “duros” e o sombreamento de cafezais como forma de melhorar a produção foram desenvolvidas, com especial destaque para a última. Entretanto, em alguns casos os resultados foram pouco conclusivos e os experimentos com sombreamento comprovaram sua total inviabilidade.
Sanches destaca que ao mesmo tempo houve uma crescente diversificação das atividades de pesquisa ali realizadas, que passam a atender outros produtos, ao mesmo tempo em que há uma perda paulatina no interesse e no entusiasmo demonstrado à época da inauguração do instituto botucatuense em relação às pesquisas com o café.
“Por que isso? Nossa hipótese é a de que a retirada de impostos sobre o café, feita em 1937, e os acordos de venda do produto assinados durante a 2ª Guerra Mundial terminaram por resolver o problema da concorrência e garantir um mercado consumidor, em especial o norte-americano, sem a necessidade de se alterar a qualidade do produto”, deduz o autor da pesquisa em seu livro.




