É fato conhecido que o PT elegeu Eduardo Cunha como o grande responsável pelo impeachment de Dilma Rousseff. A outra opção, mais verdadeira, era jogar toda culpa em 71,5% ou 367 deputados federais, 75,3% ou 61 senadores, apoiados por cerca de 70% ou 140 milhões de brasileiros. Mas, para o PT, este mundaréu de gente a favor do impeachment era bom para esconder e não para divulgar. E o PT fazer o "mea-culpa", nem pensar!
Voltando um pouco no tempo, quando o PT percebeu que a derrota no processo de impeachment estava se desenhando, começou a construir histórias que lhe propiciasse uma saída mais honrosa. Assim, sem maiores explicações, jogava no ar que nossa democracia sofria ameaças, pois estava em curso um "golpe parlamentar", onde um governo legitimamente eleito poderia ser vítima da vingança dos poderosos, e por ai vai. Para o PT, tudo parecia indicar que ficaria mais heroico e mais fácil de justificar, se pudesse culpar alguém muito poderoso e malvado.
Sendo um alvo mais fixo facilitaria a assimilação e sendo poderoso facilitaria a vitimização. Se também fosse malvado e vingativo, melhor ainda, pois facilitaria a motivação e a mobilização de toda militância para ajudar a descarregar nele toda indignação e fúria. E Eduardo Cunha estava no caminho criando dificuldades. Então ele era o cara!
Neste novo enredo, Cunha caia como uma luva, era o alvo perfeito! Só faltava estabelecer para ele a pecha de monstro com poder sobrenatural. Com aquela mãozinha da militância do PT que sabe como ninguém azucrinar o tempo todo, o próprio Cunha ajudou a criar esta imagem, com seu modo as vezes sorrateiro, as vezes arrogante, outras vezes destemido.
Também facilitou o fato de que corria contra ele um processo que teria mentido numa CPI, além de várias denúncias de corrupção. Denúncias até mais graves também pairavam contra Renan Calheiros - o presidente do Senado -, mas, estrategicamente, o PT o poupou, pois ele não incomodava.
E o ataque ao Cunha foi tão eficaz e avassalador, que era comum vermos pessoas que não gostavam do PT e também apoiavam o impeachment, criticar mais o Cunha do que a própria Dilma. O massacre ao Cunha deu certo, e o seu jeitão de Conde Drácula acabou definindo pra ele o papel principal de grande culpado.
Lógico que Cunha tinha um certo poder como presidente da Câmara dos Deputados podendo, por exemplo, aceitar ou não o encaminhamento do pedido de impeachment, mas seu poder neste processo praticamente terminava ai.
O restante dependia de 2/3 da Câmara e depois mais 2/3 do Senado, o que é também muita gente poderosa tendo que dar satisfações ao seu eleitorado. Como já existiam vários pedidos de impeachment, se Cunha não aceitasse nenhum, teria que justificar sob pena de se prejudicar politicamente perante a opinião pública, pois a pressão estava muito grande.
Como se sabe, o impeachment acabou sendo aprovado por 71,5% e 75,3% de cada casa do Congresso (mais que os 2/3 exigidos), e também próximos dos 70% estimados do clamor popular de apoio ao impeachment, segundo pesquisas de opinião e respaldadas pelas manifestações de rua.
Tudo indica que Cunha não é nenhum santo e que cometeu alguns pecados, mas terá seu próprio julgamento perante a justiça onde haverá a oportunidade de checarmos se a história escrita pra ele foi exagerada ou não. Entretanto, se taparmos os ouvidos para os berros do PT, a história verdadeira do impeachment é muito simples.
O governo do PT caiu por culpa dele próprio, e Cunha estava no caminho e cumpriu sua função ajudando a abreviar o sofrimento da nação, pois Dilma Rousseff já estava há tempos sem a mínima condição de governar, deixando como herança uma economia em frangalhos com 12 milhões de desempregados.
Esta verdade tão evidente, o PT se recusa a aceitar e fica fabricando histórias diferentes, talvez para tentar dar um discurso à sua própria militância, ou, quem sabe, de também tentar convencer os que estão por ai distraídos.
Creio que o bom de tudo isto é que este partido está se revelando cada vez mais, o que, a meu ver, pode constituir pra nós numa grande vantagem. Conhecendo mais e melhor seus métodos, propicia a todos oportunidades de se criar também melhores "lunetas" para observar e "vacinas" para se proteger.