Geral

Etanol sobe e prefeitura faz 'vaquinha'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
Nos postos consultados pelo JC, o litro do etanol chegou perto da casa dos R$ 2,90

Da semana passada para cá, o etanol teve um aumento aproximado de R$ 0,26, em Bauru (leia mais abaixo). Com isso, a prefeitura teve de fazer uma "vaquinha" para comprar o combustível de seu fornecedor, que só realiza a entrega de, no mínimo, 5 mil litros do produto. O município tinha dinheiro para bancar 4.750 litros e o restante teve de ser rateado entre as secretarias.

É o que revela Sidnei Rodrigues, que é titular da Secretaria Municipal de Obras, pasta responsável pelo controle dos combustíveis utilizados pela prefeitura. Segundo ele, o órgão licitou o serviço através de uma ata de registro de preços. Então, a empresa que venceu a concorrência passou a fornecer 5 mil litros de etanol, outros 5 mil de gasolina e mais 5 mil de diesel a cada cinco dias.

Na semana passada, o preço do etanol subiu e a prefeitura não tinha dinheiro em caixa para bancar a diferença e, com isso, adquirir a quantidade mínima de 5 mil litros do combustível. Já a gasolina e o diesel foram entregues normalmente, uma vez que seus custos não tiveram uma variação tão acentuada.

A solução foi fazer um rateio entre as secretarias. "Cada pasta bancou a quantidade de combustível que iria utilizar", reforça o secretário. O problema é que boa parte da frota ficou parada por dois dias, até que o problema se resolvesse.

Conforme explica Rodrigues, a situação contou, ainda, com outro agravante. O ato de registro, firmado entre o município e o fornecedor de combustíveis, chegou ao fim e a prefeitura abriu nova licitação. O procedimento foi feito três meses antes do vencimento do prazo, só que houve interposição de recurso. Logo, a empresa vencedora não assumiu o serviço de imediato.

"O fornecedor antigo prestou o serviço à prefeitura até o começo de setembro. O novo assumiu só na semana passada", acrescenta. Enquanto isso, o município passou a abastecer sua frota em postos terceirizados, ou seja, a preço de mercado, fato que exigiu mais economia por parte do Executivo.

Por conta desses dois fatores, alguns serviços ficaram prejudicados. No caso da Obras, Rodrigues destaca o tapa-buracos, que ficou parado por um dia. "Qualquer outra produção da pasta ficou prejudicada, já que houve uma pausa", aponta.

Já o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) confirma que o dinheiro empenhado não foi suficiente. "O que havia sido empenhado para os combustíveis não foi suficiente por conta do reajuste do preço do etanol", pontua.

Segundo ele, as secretarias decidiram parar alguns serviços por precaução. O prefeito concorda que a administração municipal não vive seu melhor momento. "Porém, não são pequenos ajustes nos preços dos combustíveis que irão afetar seu funcionamento", defende.

Rodrigo diz, ainda, que optou por deixar de realizar alguns serviços, nesta última fase de seu mandato - como construção de escolas e unidades de saúde -, justamente, para remanejar recursos, preservar as atividades consideradas essenciais e entregar a prefeitura com as contas em dia.

E agora?

Sidnei Rodrigues afirma que o município realiza alguns remanejamentos para que o problema não se repita, mas revela que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não têm condições para tanto.

"A Emdurb enviou um projeto de lei à Câmara, com o intuito de remanejar seus recursos para a compra de combustíveis. Já o DAE ficou de fazer o mesmo. Caso contrário, esses órgãos não terão condições de abastecer suas frotas até o final do ano", alerta.

A prefeitura só teve um "alívio" graças ao dinheiro destinado à gestão da iluminação pública. Como a responsabilidade do serviço ainda não foi transferida da CPFL Paulista para o Executivo, os R$ 5 milhões que estavam reservados para tanto foram remanejados.

"Entre junho e julho deste ano, enviamos um projeto de lei à Câmara, com o propósito de solicitar outro uso para o recurso. O documento foi aprovado e o município destinou o valor para bancar o abastecimento da frota e a folha de pagamento dos servidores", finaliza o secretário.

Em uma semana, combustível subiu cerca de 10%

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou que o preço do etanol teve uma variação de R$ 2,35 a R$ 2,64 por litro, entre os dias 16 e 22 de outubro deste ano, com base em uma pesquisa feita em 27 postos de combustíveis de Bauru.

Ontem, a reportagem percorreu estabelecimentos do setor e constatou que o etanol subiu quase 10%, em relação à semana anterior. Nos postos consultados, o combustível variou entre R$ 2,66 e R$ 2,90 por litro.

Presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), Jose Antônio Reghine alega que, nos últimos 40 dias, o litro do etanol subiu R$ 0,46 para os proprietários dos postos de combustíveis. 

Segundo Reghine, a elevação do preço do etanol não impactou de forma tão acentuada no custo da gasolina comum - que é, na verdade, uma mistura da gasolina pura com até 27% de álcool anidro. "Ao mesmo tempo que o preço do etanol aumentou, a Petrobras anunciou a redução do custo da gasolina nas refinarias, mas acredito que o combustível suba um pouco mais dentro de alguns dias", revela.

Já o sócio-proprietário de um posto de combustíveis situado na Duque de Caxias, Celso Camilo, acredita que o etanol tenha subido por dois motivos: as usinas optaram por produzir cana-de-açúcar para exportação - já que o mercado externo está bastante aquecido - e enfrentam uma fase de término de safra. 

O jeito é apelar para as promoções. Em seu estabelecimento, quem abastece a partir de 20 litros paga R$ 2,59 por litro de etanol e R$ 3,29 por litro de gasolina. Caso contrário, os preços sobem para R$ 2,90 e R$ 3,90, respectivamente.

Faça as contas!

O produtor de eventos Marcelo Farah, de 30 anos, costuma abastecer seu veículo com etanol. Ontem, ele estava em um posto de combustíveis situado na avenida Getúlio Vargas. Toda vez que o combustível sobe, Farah procura verificar se ainda compensa utilizá-lo.

Para tanto, basta fazer uma conta simples e rápida. O consumidor deve dividir o preço do litro do etanol pelo valor da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool.

Já a funcionária pública Marie Kawashima Nacamura, de 50 anos, não pensa somente nos preços na hora de abastecer. "Às vezes, buscamos combustíveis mais em conta e não somos bem atendidos. Prefiro pagar um pouco mais e me tornar uma cliente fiel", diz.

Comentários

Comentários