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Podre, digo, Poder Legislativo nacional

LUIZ FERNANDO MAIA
| Tempo de leitura: 4 min

Notem como um simples equívoco na inversão de letras pode trazer uma injustiça ao nosso atual Legislativo. Pena que não param aí as injustiças cometidas contra nossos combativos políticos dos poderes Legislativo e Executivo. Dizem que o país experimenta um nível de corrupção nunca antes visto em sua história e culpam injustamente nossos políticos do Legislativo e Executivo. Tudo invenção de um juiz com base apenas em algumas centenas de documentos e depoimentos. Até um político atuante, com ligação direta com todos os líderes de partidos, cujo grau de honestidade é superado apenas por Jesus Cristo, foi acusado. A que ponto chegamos! Como ele poderia saber o que ocorria debaixo de sua barba?

O pior é que existem outras vitimas: os políticos de oposição. Pobres alienados, não tinham como saber o que ocorria. Corrupção? Eram práticas que nunca souberam que existiam. Boa parte deles até receberam milhões de reais para suas campanhas, mas entendiam que eram doações legítimas de cidadãos entusiasmados com a sua atuação parlamentar, em prol da coletividade (não esquecer que família também é coletivo de pessoas ligadas por laços sanguíneos). Enquanto isso, o povo, ah o povo!, só sabe criticar. Fica indiferente ao ideal patriótico que envolve a alma dos grandes líderes populares, dos políticos da situação e oposição que se sacrificam trabalhando quase 2 dias por semana, praticamente sem ajuda, pois um senador só tem 70 assessores e ainda que ganham muito pouco (R$ 9 mil os assessores de Gabinete e R$ 7 mil as secretárias). Quem vive com isso? Como podem estes assessores ter incentivo para o trabalho se além do ridículo salário sabem que vão se aposentar somente com 100% do que ganham e o Estado cobre um pequeno déficit de 60% com dinheiro de tributos?

Nossos deputados e senadores, como na maioria dos países europeus, trabalham praticamente de graça. Isto porque, se considerarmos, por exemplo, os deputados federais, além do salário "simbólico" de meros R$ 33 mil (Decreto 276/14), recebem alguns trocados de ajuda de custos; aluguel, combustível, alimentação de R$ 15 mil, os que moram de graça em aptos funcionais R$ 3,8 mil, Cota Postal (selos) de R$ 4 mil a R$ 60 mil/mês. Mas o povo, insensível a este devotamento, reclama de tudo. Reclama só pelo fato de pagar uma das maiores cargas tributárias do mundo. Dizem que por ser nosso sistema tributário basicamente de tributos indiretos, o assalariado, além de pagar IR, INSS, taxas, paga em média 48% a mais no custo de qualquer produto, por conta destes tributos indiretos.

O povo não percebe as vantagens que tem? Vai trabalhar a vida toda pagando estes tributos, mas chegará à aposentadoria pelo INSS com uma renda de R$ 880,00. E, pasmem, para alguns que têm salários maiores, podem chegar a valores astronômicos, até atingir o teto de R$ 5.189,92. Mas olhem a visão míope deste povo; mesmo com tal benesse, reclama por algumas alterações necessárias no regime de aposentadoria do INSS, coisa mínima, tipo trabalhar mais uns 5 anos para poderem se aposentar, uma pequena redução no valor da aposentadoria no futuro, enfim, coisas simples para ajustar a situação do país.

Onde está o patriotismo? Afinal, a previdência do INSS gera um prejuízo de R$ 50 bilhões para atender 24 milhões de beneficiados. E ainda tem gente do VO que acha que deveriam unificar os dois sistemas (CLT e Servidor Público) para torná-lo mais isonômico só pelo fato de o déficit da previdência do servidor publico federal (civil e militar) ter um pequeno desajuste de R$ 62 bilhões para atender menos de 1 milhão de beneficiados. É claro que o problema está somente no sistema previdenciário do INSS, afinal, porque querem dar aposentadoria para tanta gente...

Já podem ir esperando que vão reclamar também de um importante e necessário Projeto de Lei (n. 5.205/16), de autoria do Executivo, que dentre outras alterações, aumentando um pouco o IR, prevê que no caso de heranças os herdeiros pagarão 15% a título de IR de ganho de capital sobre o valor herdado, além de pagarem 4% do Imposto de Transmissão causa morte já existente (não vamos esquecer que também existe em tramitação um projeto na Assembleia Legislativa de São Paulo - n. 1408/15 - aumentando a alíquota para até 8%). Certeza, lá vêm mais reclamações, por meros detalhes. O que é pagar uma carga tributária correspondente a da herança, se vão recebê-la "na faixa"?

Isto não vai ter fim nunca. Por mais que nossos políticos façam para o bem da coletividade (não esquecer que família também é coletivo de pessoas ligadas por laços sanguíneos), a ingratidão do povo continua. Do jeito que as coisas andam, não é absurdo imaginar que cheguem ao ponto de não votarem mais nestes heroicos políticos que hoje zelam por eles. Só faltava... Será que seriam capazes de darem este "Golpe"?

Atenção: Este texto contém alto grau de ironia.

 

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