| Cinthia Milanez |
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| Nessa terça-feira (25), Júlio César Benho, 22 anos, passou por júri popular: sentenciado com pena de 4 anos |
Na festa de seu aniversário de 18 anos, Júlio César Benho desferiu pauladas contra Antônio Vergílio Gomes, de 45 anos, que acabou morrendo. Nessa terça-feira (25), o rapaz passou por júri popular e foi sentenciado a cumprir quatro anos de prisão (regime aberto) por lesão corporal seguida de morte. Porém, ele segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru (acusado de tráfico de drogas).
Durante a leitura da sentença, o juiz Benedito Antônio Okuno, titular da 1.ª Vara Criminal do Fórum de Bauru, reforçou que o júri reconheceu a materialidade do crime e sua respectiva autoria, bem como o fato de que o réu não tinha a intenção matar a vítima.
O Conselho de Sentença também desclassificou o crime de homicídio, pelo qual Júlio havia sido denunciado, para outro delito, a ser determinado pelo juiz. Em vista disso, Okuno decidiu que o réu responderia por lesão corporal seguida de morte, porque ele tinha a intenção de agredir a vítima, mas só o fez para proteger seu cunhado, na época, adolescente.
Na ocasião, Júlio era réu primário. O magistrado, então, fixou a pena para o mínimo legal, ou seja, quatro anos de reclusão. Okuno determinou, ainda, que o réu a cumpra em regime aberto.
Advogada de defesa de Júlio, Edineia Sita Cucci tinha a intenção de solicitar a legítima defesa de outrem, uma vez que o réu tentou proteger o cunhado.
“Resolvi mudar para uma tese convergente com a do promotor, que entendeu que o correto seria desclassificar o homicídio para lesão corporal, porque ele feriu a vítima, mas não tinha vontade de matá-la”, argumenta.
Edineia está satisfeita com a sentença e não pretende recorrer. Ela explica, ainda, que, no regime aberto, Júlio terá de se apresentar ao Fórum uma vez a cada mês. Caso precise sair da cidade, terá de comunicar a Justiça.
Já o Ministério Público (MP) alega que, no curso do processo, não ficou demonstrado que o réu teve a índole de matar. Pelo contrário, tudo indicava que Júlio queria retirar a vítima de sua casa e desarmá-la.
A promotoria também está satisfeita com a sentença e não pretende recorrer.
O episódio
No dia 7 de junho de 2012, Júlio desferiu pauladas contra Antônio Vergílio Gomes, na quadra 1 da rua Pedro Álvares Mansera, no Parque Jaraguá, em Bauru. Conforme consta no processo, o réu, interrogado em juízo, revelou que, na ocasião, comemorava o próprio aniversário com um churrasco em sua casa.
Em determinado momento, a vítima entrou na residência e, com uma foice em mãos, alegou que mataria o cunhado de Júlio. Os dois, então, acompanharam Antônio até a rua, onde a vítima tentou agredi-los. Uma terceira pessoa, que é amigo de Júlio, passava pelo local e deu uma rasteira em Antônio.
Este, por sua vez, caiu no chão, momento em que Júlio pegou um galho de árvore e desferiu diversos golpes contra a vítima, com o intuito de desarmá-la. Por conta da confusão, curiosos começaram a se aproximar e os três, por medo, fugiram.
Em seguida, Antônio foi agredido por outras pessoas e acabou morrendo. Segundo o processo, a vítima era mal vista no bairro, porque vivia brigando com os moradores. Mãe de Júlio, a dona de casa Rosineide Benho, relata que o filho se apresentou à polícia, acompanhado de um advogado, um mês após o crime. Ele passou a responder em liberdade.
Neste ano, o rapaz foi preso acusado de tráfico de drogas e, atualmente, está no CDP de Bauru. “Quando Antônio entrou com a foice, pensei que ele fosse matar todo mundo. Meu filho só quis proteger o cunhado, que, na época, era adolescente”, defende Rosineide, que considerou a sentença justa.
