Palavras ou expressões que caíram de moda fazem falta nos tempos de incivilidade que estamos enfrentando. As mestras do "currículo oculto" ou do "currículo implícito", mas pressuposto e fundamental, que são as mães - ou quem ocupa o lugar delas - precisam investir nesse treino de convívio social civilizado. As crianças precisam aprender a dizer "muito obrigado", "por favor", "com licença" e "desculpe-me". Sem esquecer os triviais cumprimentos de quem pretende integrar a única espécie considerada racional dentre as criaturas: "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "como vai?".
Quem se ressente dessa ausência é, principalmente, a mestra. Aquela que tem a missão de transmitir o conhecimento, de abrir as consciências infantis para a longa estrada que está disponível para todos, mas que será percorrida com facilidade maior por quem tiver adequado preparo. Há inúmeros professores que não têm merecido o tratamento condigno, respeitoso e mesmo caloroso, de parte de seu alunado. Seja porque este esqueceu daquilo que as mães disseram, seja porque as mães não estão insistindo muito nesse comportamento. Algo que ajudaria a mostrar que todos têm razão, como é frequente acontecer na nossa vida, é a própria mãe cuidar de agradecer à professora aquilo que ela está fazendo em favor de seu filho.
Gesto carinhoso de procurar a mestra e dizer a ela que a família está contente, reconhece o que tem sido feito e confia na escola, é uma injeção de ânimo para quem está muito fragilizado. É compreensível que em fase crítica de insuficiência financeira, de falta premente e crescente de recursos, não está no melhor dos mundos. Mas se o carinho da família do destinatário do mister professoral se fizer presente, com certeza a esperança receberá boa dose de vitamina, suficiente a amenizar a situação até que as coisas melhorem. E elas têm de melhorar. O Brasil é muito mais valioso do que se possa pensar. Principalmente pela têmpera de brasileiros como os professores, que continuam a cumprir sua missão indeclinável e dos quais depende o futuro glorioso deste nosso querido e sofrido Brasil.
O autor é secretario da Educação do Estado de São Paulo