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Medo de ataques fecha caixas eletrônicos em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Malavolta Jr.
Em frente à agência no Bela Vista, Marcos Roberto Dias de Lima afirma que restrição “complicará sua vida”
Carlos Alexandre da Silva reclama que a mudança irá causar prejuízos

Algumas agências do Banco do Brasil, em Bauru, irão restringir o horário de funcionamento de seus caixas eletrônicos. Para se ter uma ideia, o serviço funcionará só até as 18h nos dias de semana e sequer abrirá aos finais de semana e feriados. A instituição afirma que o motivo é preservar a segurança do patrimônio e das pessoas, uma vez que bancos instalados em outras cidades da região sofrem com constantes ataques. Nessa quinta-feira (3) mesmo, um bando foi interceptado antes de um crime em Novo Horizonte. (clica aqui e confira)

A assessoria de comunicação do Banco do Brasil confirmou que, inicialmente, os terminais de autoatendimento do Bela Vista, da Vila Falcão, da Vila Cardia, do Jardim Estoril, da avenida Getúlio Vargas e da rua Primeiro de Agosto funcionarão de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Além disso, não haverá atendimento aos sábados, domingos e feriados.

A alteração começará a valer a partir do próximo dia 28. Já os caixas eletrônicos das demais agências não terão, por enquanto, mudanças em seu horário de funcionamento - alguns abrem todos os dias, das 8h às 22h, e outros, das 8h às 20h, com exceção da agência da Praça Rui Barbosa, cujo serviço funciona das 6h às 22h.

O órgão afirma, ainda, que a Resolução 2.932, do Banco Central do Brasil, faculta às instituições financeiras o estabelecimento do horário de funcionamento, de acordo com o critério de cada uma delas. A reportagem apurou junto à assessoria do Banco do Brasil que outros bancos seguiriam a mesma tendência, porém, a informação não foi confirmada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

DESAPROVAÇÃO

Já os clientes estão descontentes diante da alteração do horário de funcionamento. O advogado Marcos Roberto Dias de Lima, de 28 anos, trabalha em um escritório que fica no Bela Vista, cuja agência seguirá essa tendência.

“Costumamos fazer transferências bancárias aos finais de semana. Utilizamos o aplicativo do banco, mas a ferramenta possui um limite e temos de recorrer aos terminais de autoatendimento. Quando essa mudança entrar em vigor, nossa vida ficará mais complicada”, acrescenta.

Aviso na porta de algumas agências de Bauru informa sobre a mudança; Banco do Brasil alega que medida é para preservar a segurança do patrimônio e das pessoas

O construtor Carlos Alexandre da Silva, de 57 anos, também trabalha no Bela Vista e, quando precisa de dinheiro em mãos, recorre à agência do bairro. “Embora seja difícil eu ir em bancos, a mudança acaba prejudicando”, finaliza.

Sem sintonia

Embora a assessoria de comunicação da Febraban informe que “os bancos, junto à Federação, estão empenhados em apoiar as autoridades no combate aos problemas de segurança pública dos quais são vítimas”, o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), sequer foi informado acerca dessa alteração do horário de funcionamento dos caixas eletrônicos.

Segundo ele, o papel da polícia é garantir a segurança da porta dos bancos para fora. “Nós realizamos policiamento preventivo, diariamente, até as 22h30, em áreas onde se concentram bancos e estabelecimentos comerciais, com o objetivo de evitar roubos e explosões”, explica.

Inclusive, o tenente-coronel reforça que esse tipo de ocorrência é mais comum em cidades de pequeno porte, devido ao pouco aparato policial e à proximidade das rodovias. “Ambos os fatores proporcionam facilidade de fuga aos criminosos”, frisa.

Casos recentes

Nos últimos meses, as agências bancárias da região vêm sendo alvo de criminosos. No dia 21 de julho, cinco ladrões entraram em um banco, em Gália, e levaram todo o dinheiro do cofre. A mesma situação foi registrada no dia 8 de agosto, em Porangaba, na região de Botucatu. Mais para frente, no dia 5 de setembro, três homens também roubaram todo o dinheiro que estava no cofre de uma agência bancária, em Iacanga. 

Após 16 dias, a Polícia Militar (PM) conseguiu evitar que cinco ladrões armados roubassem um banco, em Mineiros do Tietê. Conforme o JC já noticiou, a quadrilha, que havia separado R$ 42 mil, foi surpreendida com a chegada das viaturas e fugiu sem levar nada. Houve troca de tiros e dois criminosos foram presos. Duas armas e um carro, usados na ação, foram apreendidos.

Idec diz que não há legislação que determine o horário, porém, vê prejuízo aos consumidores

Economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim acredita que a restrição do horário de funcionamento dos caixas eletrônicos de algumas agências causa prejuízo aos consumidores. Porém, segundo ela, não há uma legislação que determine um período específico para esse tipo de serviço.

Ione diz, ainda, que essa tendência já tomou conta da Capital do Estado de São Paulo e, agora, chega ao Interior. “Cabe aos bancos informarem os locais alternativos, para que os consumidores consigam, de fato, ter acesso ao serviço”, acrescenta.

Além disso, a economista orienta que, antes de ir até uma determinada agência, o indicado é saber seu horário de funcionamento. “Outra dica é buscar por caixas antes “24 horas”, que também, por questões de segurança, passaram a funcionar das 6h às 22h, um tempo maior do que nos bancos”, observa.

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