Tribuna do Leitor

A reforma do ensino médio

Professora Eduarda Maria de Souza Fernandes
| Tempo de leitura: 1 min

Às vésperas do Enem, acompanhamos a discussão sobre as manifestações acerca da reforma do Ensino Médio. Muitas escolas ocupadas pelos estudantes no país, desocupações com empregos de métodos de tortura no Distrito Federal, entre outras polêmicas, tomam conta dos noticiários e das redes sociais. Mas a falta do debate com os docentes e estudantes precisa ser evidenciado.


O Ensino Médio tem problemas, precisa ser repensado e é urgente sua reformulação. Porém, fazê-lo por medida provisória é pensar a crise educacional de forma a enfraquecer os professores, reduzir a educação à tecnocracia, subtrair a voz estudantil em suas experiências de aprendizes e demonstrar para a opinião pública que os professores são incapazes de exercer seu papel de profissional reflexivo.


A falta de diálogo é intencional e aumenta ainda mais as distâncias entre o ensino público e o privado: relega aos alunos da escola pública o conhecimento, transformando-os em mão de obra para beneficiar os interesses mercadológicos; declara aos da escola privada, à intelectualidade. No entanto, tanto um sistema quanto outro sofrerá com um ensino fragmentado e com a privação da produção da ciência e suas implicações éticas, políticas e estéticas.


Professores, é preciso reagir! Lutar contra os mecanismos que o governo usa para eliminar as resistências, recuperar o sentido ético implícito no nosso trabalho, resgatar a escola enquanto um espaço de luta contra as relações de poder, buscar a ação crítica na construção de um projeto educacional que elimine as diferenças sociais e que oportunize o acesso ao conhecimento a todos.

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