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Alerta: crianças e bebês também podem ter AVC

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
A neurologista infantil Maria Valeriana faz alerta aos pais

Tão devastador quanto em adultos, o acidente vascular cerebral (AVC) também ocorre em crianças e bebês. No Brasil, o problema, contudo, ainda é pouco conhecido, o que faz com que a patologia não seja reconhecida mesmo com a presença de sintomas, o que, muitas vezes, acaba anulando as chances de um socorro imediato e ideal. Para tratar sobre o tema, a neurologista infantil Maria Valeriana Leme de Moura Ribeiro participa de evento hoje em Bauru.

Professora titular do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, ela estará palestrando no 5.º Encontro de Neuropsicologia na Infância, promovido pelo HRAC/Centrinho e pela FOB/USP.

Pela importância do tema e para tentar romper com tal desconhecimento, o AVC infantil ganhou campanhas específicas, recentemente, por parte do Ministério da Saúde.

ATÉ OS 3 ANOS

Segundo Maria Valeriana, a incidência anual de AVC em crianças é de até 18 casos para cada 100 mil habitantes. Nos adultos com mais de 50 anos, principais alvos da doença, o índice é de 150 para cada 100 mil pessoas por ano.

Quando comparados, os números podem parecer baixos, mas preocupam bastante. “Nos primeiros três anos de vida, é relativamente elevada a incidência de AVC em crianças”, alerta. Assim como nos adultos, os pequenos podem ficar com sequelas graves ou até mesmo morrer. O AVC, segundo a neurologista infantil, é uma das principais causas da paralisia cerebral na infância.

CONFUSÃO

Maria Valeriana Ribeiro explica que as sequelas do AVC são geralmente confundidas com o atraso neuropscicomotor da criança. “Durante uma crise convulsiva, a criança acaba levada ao Pronto-Socorro e, quando os sintomas são tratados, ela é liberada, sem uma ressonância ou tomografia, que possa indicar o AVC”.

E qualquer perda de tempo no tratamento adequado significa milhares de neurônios destruídos. “Forma-se uma lesão por ausência de massa cerebral. Quando a paralisia é diagnosticada, a fase aguda já se foi”, completa. Com o tratamento iniciado na fase aguda, as chances de recuperação plena são altas em crianças.

CAUSAS E SINAIS

As causas da doença estariam ligadas à malformações do coração ou vaso sanguíneo, apresentadas logo após o nascimento, ou ainda de doença ou inflamação dos vasos do sistema nervoso central ou por causa de traumas.

A médica alerta que, durante o AVC infantil, as crianças podem ficar confusas e até desmaiar. Outros sintomas são perda ou dificuldade para movimentar um dos lados do corpo, convulsão, perda da fala e repuxamento da boca .

ANTES DE NASCER

A doença durante a gestação possui diagnóstico ainda mais difícil. Acaba descoberta somente nos primeiros meses de vida, quando o bebê não movimenta um dos lados do corpo ou apresenta convulsões, espasmos e apneia. Ocorre, geralmente, quando a mulher apresenta trombose, infecções ou complicações durante a gestação.

O evento

O 5.º Encontro de Neuropsicologia na Infância tem como tema “Neurodesenvolvimento e os Transtornos da Aprendizagem”. O evento começou ontem e segue hoje no Teatro Universitário da FOB/USP. As vagas estão encerradas. Serão discutidos aspectos preventivos, de diagnóstico e tratamento de transtornos do desenvolvimento. Entre os convidados, estão especialistas renomados do Brasil e do Exterior. Hoje, o ciclo de palestras ocorrerá das 8h às 18h.

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