As eleições norte-americanas, que ocorrerão amanhã, 8 de novembro, suscitam calorosos debates sobre temas da atualidade num momento em que parece ter se esgotado a configuração mundial surgida após a queda do muro de Berlim. Num primeiro momento, pensou-se ter acabado a polaridade das duas grandes potências mundiais, mas o que percebemos é que também os Estados Unidos foram perdendo força, entrando em declínio, sob vários aspectos. Emergiu a China como superpotência e a Rússia de Putin quer recuperar o status de superpotência que tinha quando era URSS. Mas a configuração global ficou bem mais complexa.
Os muçulmanos avançaram em sua nova estratégia de expansão, principalmente na Europa, com o problema da imigração. Os Estados Unidos também se deparam com a questão dos imigrantes, mas são bem controversas as soluções que têm sido apresentada, de murar as fronteiras, como quer a Hungria, e como afirmou o candidato republicano Donald Trump, dizendo que irá fazer o muro na fronteira com o México, e os próprios mexicanos é que irão pagar a construção do muro, declarou em um de seus pronunciamentos. O papa Francisco procura sensibilizar a todos para não hostilizarem os imigrantes, mas é uma problemática muito complexa e que tem causado tensões, sem saber que desdobramentos ainda terão, diante dessa nova realidade global.
O Brexit também foi um fato novo nesse contexto. A retirada da Grã-Bretanha da União Europeia, por decisão popular mostrou uma insatisfação quanto a um modelo de globalização que precisa mudar. E caso Trump vença as eleições norte-americanas (que Deus nos livre disso!), a tendência é a diminuta esquerda internacional sofrer seu maior revés desde a queda do muro de Berlim, com consequências ainda imprevisíveis. Há quem faça rumores de uma terceira guerra mundial, mas tudo isso são apenas especulações. O fato é que uma nova configuração global vem se formando, com novos desafios. Há uma tendência de regionalizações, mesmo havendo ainda manifestações de antigas obsessões de protagonismo global, especialmente da China e da Rússia, e até mesmo dos Estados Unidos querendo se recuperar, não apenas economicamente, mas também no campo político e cultural.
O Brasil continua sendo um país de promissão, apesar dos problemas que vêm enfrentando, com o esforço de setores expressivos da sociedade no combate à corrupção e por uma maior moralização política. O Governo Temer vem se empenhando por colocar as contas públicas em ordem, fazendo a tarefa de casa, mínima, apresentada com a PEC 241. Mas há muito o que fazer para o Brasil ser "o país do futuro" (na expressão de Stefan Zweig), e nesse sentido, os investimentos em educação serão cada vez mais necessários. Esperamos que nesta nova configuração global o Brasil consiga seu espaço e sua vez, na soma de outros países, para construir um mundo melhor para todos.