Há tempos estou para fazer esta homenagem a um pequeno espaço em tamanho, mas imenso em saudades. Okinawa, clube dançante dos anos 70 e 80, localizado no Jardim Bela Vista, na rua 12 de Outubro, onde centenas de adolescentes e jovens se aglomeravam para se divertir ao som dos imbatíveis anos 60, 70 e 80.
Lembro-me dos amigos se reunindo durante a semana para ensaiar novos passos de danças e “arrepiar” na pista.
Da correria na hora das músicas lentas (músicas com eco e outros recursos), das namoradas, das paqueras, onde o tempo parecia mais lento, as relações acompanhavam esse ritmo, havia mais sabor, mais unidade, mais profundidade.
O carimbo no braço como visto de saída e entrada, que com um pouco de saliva passamos no braço do amigo que por vezes não tinha recursos para a entrada, mas não poderíamos deixá-lo de fora da festa.
Claro que os proprietários sabiam e na grande maioria das vezes se faziam de cegos, pois ali era como uma grande família.
Embalados ao som dos Bee Gees, Abba, Disco Music, temas de novelas, até meu Rock and Roll nas bandas como KISS, Queen, Alice Cooper, The Knack, entre outros, tinham espaço num tempo meio excluídos nos clubes de danças.
Zé Roberto, Deley e o Léo, proprietários, realmente sabiam como alcançar a todos. E é pra vocês que rendo esta homenagem por presentearmos com um clube maravilhoso que deixou muitas, mas muitas saudades. Ao Mano também, proprietário anterior, na qual estive poucas vezes, mas muito elogiado pela competência que tinha.
Também recordo daquela noite, alguns sabiam outros não, mas a reação foi a mesma, todo mundo muito triste, meio que a deriva, quando o Zé Roberto, ao som de Sunshine on my Shoulders, de John Denver, comunicou soluçando que aquela seria a última noite do Okinawa, teriam que entregar o prédio.
Silêncio total, tristeza, comoção para todos os lados, sensação profunda de perda, vazio abismal. Mas, por outro lado, privilegiados por termos tido um clube maravilhoso, inesquecível e de uma geração premiada musicalmente e de um tempo ímpar que infelizmente não retornará. A vocês, Zé Roberto, Léo e Deley, Valeu demais... Okinawa será sempre eterno na memória de muitos.
Não posso esquecer também do senhor (esqueci o nome, mas era parte indispensável ao grupo) que vendia chicletes e coca-cola, pois não havia bebidas alcoólicas lá, tínhamos que “calibrar” no bar da esquina...