Esportes

Xadrez: além do tabuleiro

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
No primeiro plano, Laura e Sofia na partida 

final do torneio Dh5!, neste sábado, na ITE

Com a celebração do Dia Internacional do Xadrez, dezenas de crianças e adolescentes de Bauru participaram, no sábado, de campeonatos da modalidade, cada vez mais presente na grade curricular de escolas da cidade e do País. Especialistas garantem: o contato com o jogo a partir da infância traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento dos pequenos.

A melhora no desempenho escolar é ponto pacífico, como relatam Sofia Laura e Laura Pittoli, ambas de 9 anos, que se consagraram campeã e vice-campeã da categoria para alunos do 4º ano fundamental, no Circuito Dh5!, cuja final aconteceu na manhã de ontem, na ITE, após quatro etapas classificatórias.

As duas tiveram o primeiro contato com o xadrez há cerca de três anos, nas escolas onde estudam. "Eu me apaixonei pelo esporte e busquei me aprimorar no Bauru Tênis Clube (BTC). Minhas notas melhoraram bastante e, agora, estudo para me tornar profissional", conta Sofia, que conquistou o troféu do primeiro lugar.

Dona da medalha de prata que chegou em uma final de campeonato pela primeira vez, Laura diz que, apesar de exigir muito raciocínio, o esporte lhe deixa mais relaxada. "Sinto que penso mais rápido também".

Responsável pelo Circuito Dh5! [o nome do torneio, criado em 2003, faz referência a mais básica das sequências de movimentos do jogo], o professor Christian van Riemsdijk elenca outras habilidades potencializadas pelo xadrez. "Tomada de decisão, conhecimento de estratégia e tática. A lista é bem grande e não passa de mito a história de que se trata de um esporte para pessoas com intelecto muito elevado".

Diretor responsável pela modalidade no BTC, que também promoveu, neste sábado, o tradicional "Memorial Valzinho de Xadrez", Ralfred Mello destaca ainda que a prática do jogo aumenta o nível de concentração das crianças, alfora o senso de dimensão espacial e ajuda na resolução de problemas do dia a dia.

REDE PÚBLICA?

Apesar da boa penetração do xadrez na grade de escolas privadas de Bauru, Christian e Ralfred lamentam que, na rede pública, o esporte ainda é ensinado apenas pontualmente. "A maioria das crianças que participa do nosso torneio vem da rede particular. Ainda há muito o que avançar, principalmente por se tratar de uma modalidade barata, que não exige a construção de quadras. Com o tabuleiro e as peças, é possível jogar até no chão".

Um desafio elencado por Ralfred é a insuficiência de mão de obra disponível para o ensino do xadrez, inclusive para atender a demanda de escolas privadas. Ele pontua, no entanto, que, em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), o BTC oferece aulas gratuitas da modalidade para crianças e adolescentes.

"O serviço é aberto a toda a comunidade. Temos aulas para os níveis iniciante, intermediário e avançado. Nossa equipe participou de mais de 35 torneiros nos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais, sempre com resultados bastante satisfatórios", conta.

Tradição e memória

Criado em 1955, Jeovah de Oliveira, popularmente conhecido como Valzinho, o antigo Torneio dos Capivaras de Xadrez passou a se chamar "Memorial Valzinho" após a morte de seu idealizador.

O campeonato ocorreu neste sábado em sua 62ª edição, reunindo enxadristas iniciantes, em sua maioria, na faixa etária de 7 a 15 anos. 

Valzinho era jornalista e, segundo o amigo Nilson Costa, um entusiasta do xadrez e do esporte em geral. "Foi um grande companheiro dos primeiros anos após a fundação do Jornal da Cidade. Sua sala de trabalho ficava ao lado da minha, onde desempenhava as funções de chefe de redação".

Da família baiana, Valzinho destacou-se também como um primoroso cronista esportivo. Seu pai, Manoel de Oliveira, é o autor do "Hino a Bauru".

Em meio a uma partida e outra durante o torneio deste sábado, crianças, adolescentes, seus pais e membros do BTC lembraram também de Edvaldo Bezerra Diniz - o Professor Paraíba -, que morreu em agosto do ano passado, dias após atuar na coordenação e na arbitragem da última edição do "Memorial Valzinho".

Paraíba lecionou xadrez por 35 anos. Em Bauru, recebeu 18 edições do Troféu Ligado como técnico e um como notável do esporte, além de quatro medalhas em Jogos Abertos do Interior, sendo uma de ouro e três de bronze. O professor foi vítima de um repentino câncer no fígado.

Gabriel conquista título do Memorial Valzinho de Xadrez  

Bruno Freitas/BTC
Eric Piassi, Daniel Baldin, Ralfred Mello, o mais novo campeão Gabriel Ticianelli e sua mãe Cristiane Ticianelli

Gabriel Ticianelli, de 9 anos, betecista e aluno do 4º ano do colégio Alfa Beta, de Bauru, foi o grande campeão do 62ª Memorial Valzinho, realizado ontem pelo Bauru Tênis Clube em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) de Bauru.

Gabriel ganhou e registrou seu nome no tradicional troféu itinerante que começou a ser disputado, anualmente, em 1955, na época, chamado de Torneio Capivaras. A competição é considerada o maior torneio de enxadristas iniciantes do estado de São Paulo.

"Gostaria de dedicar esse título a minha família e ao meu ex-professor e maior incentivador neste esporte, o professor (já falecido) Edvaldo Bezerra Diniz, o Paraíba", agradeceu o pequeno campeão.

Você sabia?

Em 19 de novembro celebra-se o Dia Internacional do Xadrez, em comemoração à data de nascimento, em 1888, do cubano José Raul Capablanca, considerado gênio e menino prodígio da modalidade. Ele foi campeão mundial de xadrez de 1921 a 1927, jogando em torneios em todo o mundo. Capablanca morreu de ataque cardíaco em 1942, enquanto analisava uma partida.

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