Articulistas

Maurício de Sousa

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 2 min

No JC Criança do último domingo, uma charge do cartunista Maurício de Sousa chamou-me a atenção. Dentre seus inúmeros personagens, o que mais me atrai é o Chico Bento, pela sua simplicidade, astúcia, sutileza, espírito puro, dentre outras qualificações por mim preferidas. Nessa edição, com apenas dois quadros, o Chico Bento está se preparando para escutar pelo rádio a Hora do Brasil. No segundo quadro, o rádio proclama "Socorro!". Que leitura, mensagem e protesto espetaculares estão ali contidos.

O cartunista tem o dom de captar e transmitir pelo desenho suas refinadas observações. Recebi recentemente um vídeo onde o senador Ronaldo Caiado, numa sessão de 2013, faz sérias e ofensivas acusações publicas diretamente ao Garotinho, que agora se materializaram nas últimas notícias veiculadas pela imprensa. Vemos apenas os apelos de senadores como Álvaro Dias, Ana Amélia e Malta pedindo apoio popular para fortalecer decisões que impactarão diretamente na sociedade. Nas imagens da Câmara Federal e do Senado, são mais de 500 parlamentares que, pelo voto, conquistaram esses cargos. Vivem dos benefícios diretos e indiretos de seus cargos políticos. E que são muitos. Será que somente alguns se destacam para denunciarem as falcatruas que ali são desfiladas antecipadamente até chegarem ao nosso conhecimento?

Por que as demais centenas de representantes não se posicionam para o bem da nossa sofrida população? Conclui-se que seriam coniventes e de incomensurável maioria, que precisamos nos movimentar em grandes aglomerações de protestos, para que eles tomem atitudes que estão claras à vista de todos, e que beneficiam milhares de brasileiros?

Não esqueço um protesto de um brasiliense, que dizia: "Brasília não é terra de ladrões. Os que aqui vivem, foram eleitos representantes dos outros estados brasileiros." E ele tem toda a razão. O que chama a atenção em tudo isso é que somos informados que os parlamentares estão se movimentando, sorrateiramente, para aprovar medidas que limitam as investigações e suas consequências jurídicas e o mais apavorante, são as notícias que denigrem as imagens de muitas autoridades jurídicas, pelos atos que praticam, em vez de aplicar leis regidas pela Constituição, que até nos causam dúvidas da sua atualização e competência.

Para cada acusação do Ministério Público, vemos rapidamente advogados alegando inocência, truculência e outros adjetivos que, no aprofundamento das investigações, aumentam a gravidade dos atos praticados pelo acusado. Vide Cunha, Garotinho, Cabral, Renan, Genoíno, Delcídio, Marcelo Odebrecht e se prosseguir listando os nomes, numa edição dominical de jornais, ocuparia todas as páginas. Muitas das acusações são de atos de crimes contra a nação e não de crime político.

Parece que a ideia inicial é propositalmente embaralhar as acusações, transformando em vítimas todos esses acusados. Qual a preocupação com o futuro da nossa juventude? Só podemos planejar o futuro, olhando para o passado e tomando as decisões no presente. Pergunte a um jovem como ele interpreta esse momento por nós vivido. As respostas mostram desesperança e descrédito. O rádio do Chico Bento está, e nós também, implorando Socorro.

 

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