Muitas vezes ouvi a frase enfática: “Pense grande!”. Acredito mesmo que isto seja bom para quem sabe quais são seus horizontes e a profundidade de sustentação deles. Ora, se existe um país que pouco se importa com esta colocação é o nosso. Tudo aqui é feito com a visão de ponta de nariz. Com o interesse curto do agora, do porque podemos morrer daqui a pouco ou, o do político: agora é a minha vez. Por isto, “Com uma estrutura considerada acima das reais necessidades, a direção do Banco do Brasil decidiu reduzir seu quadro de pessoal e a estrutura física.” (JC-22/11/2016).
Convido o distinto leitor a pensar comigo: se a macroeconomia reage assim, é bem possível que em médio prazo vamos ter uma legião de máquinas trabalhando no lugar de pessoas e, consequentemente, outra legião de pessoas desempregadas. E, sem condições de receber pelo trabalho que fazem ou por meio do emprego que tem, perdem a condição de consumidores. Deixando de consumir, a roda produtiva do sistema do Capital perde o elo de ligação que faz girar sua engrenagem. Se a maioria não tiver condições de consumir, para quem se vai produzir? Nunca tive grandes amores pela máquina financeira do Banco do Brasil. Faliu três vezes em outros tempos. Razões sempre políticas. Mas continua emperrada.
Teria que se livrar da política que escamoteia seus fins e menos de seu absurdo quadro de funcionários. Mais do que modernizar, cujos bancos particulares servem um sobejo exemplo, há que se pensar com horizontes e planos a longo prazo.
Encanto-me quando vejo outras nações, a Noruega, por exemplo, com planejamentos públicos para daqui a 20 anos. Mesmo os EUA, com essa guinada trumpista, com certeza vão manter seus planejamentos públicos com uma visão de 30 anos. E, atenção: eles têm a mesma idade histórica que nós. O que muda é o espírito de Estado sempre voltado para a nação e nunca para um grupo de “pensadores grandes”!
A autora é professora, doutora em história