Internacional

Fidel morre: pesar e festa em Cuba

Claudia Violante
| Tempo de leitura: 3 min

Reuters
Muitos cubanos foram às ruas prestar homenagens  a Fidel Castro logo após anúncio de sua morte

Fidel Castro, o líder revolucionário cubano que construiu um estado comunista na porta dos EUA e por cinco décadas desafiou os esforços norte-americanos para derrubá-lo, morreu na sexta-feira (25), aos 90 anos.

Figura imponente da segunda metade do século 20, Castro se manteve preso à sua ideologia após o colapso do comunismo soviético e seguiu amplamente respeitado em partes do mundo que tinham lutado contra o domínio colonial. Ele estava com a saúde debilitada desde que uma doença intestinal quase o matou em 2006. Ele passou formalmente o poder para seu irmão mais novo Raul Castro dois anos mais tarde.

Vestindo um uniforme militar verde, Raul Castro, 85 anos, apareceu na tevê estatal na noite de sexta-feira para anunciar a morte de seu irmão. “Às 10:29 da noite, o comandante chefe da revolução de Cuba, Fidel Castro Ruz, morreu”, ele disse sem dar a causa da morte. “Sempre para a frente, para a vitória”, disse, usando o slogan da revolução cubana.

O anúncio da morte deFidel provocou festa entre exilados cubanos em Miami e manifestações de pesar de parte da comunidade internacional. Em Cuba, enquanto alguns comemoravam pelas ruas, outros lamentavam a morte do ditador, visto como herói por parte da população.

No fim da noite de sexta, quando Raúl Castro foi à TV fazer o pronunciamento da morte do irmão, o clima era de incerteza sobre como Cuba amanheceria. Mas, meia hora após o comunicado, a Little Havana, que abriga cubanos expatriados em Miami, já festejava sob gritos como “Cuba livre” e “Liberdade, liberdade!”.

“É triste a pessoa se alegrar com a morte de uma pessoa, mas ele jamais deveria ter nascido”, declarou Pablo Arencibia, 67 anos, um professor que deixou Cuba há 20 anos.

Segundo o Centro de Pesquisas Pew, 2 milhões de cubanos vivem nos EUA e 68% deles moram na Flórida. Com comentários como “demorou muito” e “agora falta Raúl”, mais de mil pessoas se reuniram no distrito de Little Havana e outros tantos em Hialeah - área de Miami que também é reduto do exílio cubano.

A polícia fechou o acesso a ruas que levam ao  famoso Cafe Versailles na cidade, onde o café cubano era tão comum quanto duras palavras sobre o Fidel.

Funeral será em 4 de dezembro

O governo de Cuba anunciou ontem que o funeral de Fidel Castro será no dia 4 de dezembro, no cemitério Santa Efigência, na cidade de Santiago de Cuba. Mas o corpo do ex-presidente seria cremado ainda nesse sábado (26), conforme a vontade do próprio Fidel, informou Raúl Castro. Cuba decretou nove dias de luto nacional pela morte de Fidel, contados a partir de sábado. Antes da solenidade de enterro, centenas de homenagens oficiais serão feitas ao líder cubano. Santiago foi a cidade onde Fidel cresceu e frequentou a escola. E foi também nesta cidade que Fidel Castro, em 1959, de uma janela da prefeitura, anunciou ao mundo a revolução cubana.

O líder cubano nasceu na cidade de Birán, no dia 13 de agosto de 1926. Entre as homenagens previstas a de maior destaque será feita amanhã, em frente ao Memorial José Martí, em Havana, capital cubana, quando a população poderá prestar homenagem ao líder cubano.

De acordo com o ritual previsto, todos os que comparecerem a essa homenagem deverão assinar um livro em que prometem fidelidade à revolução cubana. Haverá também, no mesmo dia, uma missa na Praça Havana, onde Fidel costumava se dirigir às multidões. Na quarta-feira, as cinzas do ex-presidente serão transportadas para várias cidades do país, para que a população possa homenageá-lo. No sábado, haverá outra missa na cidade de Santiago.

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