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71 pessoas morreram em acidente aéreo com time da Chapecoense

Por Andrés Velásquez | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 5 min

Fredy Builes/Reuters
Por ser montanhoso, o local da queda do avião é de difícil acesso e dificultou o resgate

Reprodução Twitter
Imagem registrada de parte da aeronave 

A maior tragédia da história dos desastres aéreos envolvendo times de futebol no mundo deixou 71 mortos, sendo 19 jogadores do time da Chapecoense, nesta terça-feira, em Medellín, na Colômbia. A delegação do clube de Chapecó (SC) estava a bordo do avião para a disputa do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

O informe da Aeronáutica Civil (Aerocivil), órgão que cuida do funcionamento das aviação na Colômbia, disse que a aeronave caiu aproximadamente às 10h30 da noite desta segunda-feira (1h30 de terça no horário de Brasília) a 30 quilômetros de distância do aeroporto. O avião vinha de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e pertencia à empresa LaMia, cuja matrícula é LMI2933 RJ80.

Seis pessoas sobreviveram e foram levadas a três hospitais. Entre os sobreviventes estão o goleiro Jackson Follmann, que teve uma das pernas amputadas, o lateral-direito Alan Ruschel (lesão na coluna) e o zagueiro Neto (hematoma craniano, no abdômen e tórax). Também estavam a bordo 21 profissionais de imprensa. Apenas Rafael Henzel, narrador da rádio Oeste Capital, de Chapecó (SC), foi resgatado com vida. Entre as vítimas está o comentarista da Fox Sports Mario Sérgio Pontes de Paiva, ex-jogador da seleção brasileira e campeão mundial pelo Grêmio em 1981.

As autoridades do Departamento de Antioquia ainda investigam as causas do acidente. Na tarde desta terça-feira, encontraram as caixas-pretas do avião. Os equipamentos são fundamentais para a investigação por conter as gravações dos diálogos entre piloto e torre de controle minutos antes da tragédia. O governo brasileiro enviou especialistas do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, que auxiliarão as autoridades colombianas na investigação.

Gustavo Vargas, diretor da LaMia, evitou antecipar qualquer causa para a tragédia. Uma das possibilidades que estão sendo investigados é a falta de combustível na aeronave. "Não podemos descartar nada, a investigação está em curso e vamos esperar pelos resultados", declarou Vargas, cauteloso.

Alfredo Bocanegra Varón, diretor da Aerocivil, classificou um possível desabastecimento como algo "muito grave". "Não estamos confirmando nem negando qualquer possibilidade de que pode ter ocorrido uma falha por parte da companhia aérea. Tomara que não tenha sido um problema de desabastecimento, algo que seria muito grave porque o avião se encontrava muito próximo de aterrissar, uns cinco minutos", disse.

O Instituto Nacional de Medicina Legal da Colômbia informou que a identificação dos corpos deve demorar de dois a três dias. Para agilizar o processo, foi destacado um grupo de 45 especialistas.

Inicialmente, a própria polícia local havia anunciado que haviam 76 mortos. Esse número foi corrigido três vezes, depois que foram localizados com vida o zagueiro Neto, da Chapecoense, e Erwin Tumiri, técnico da aeronave. O goleiro Danilo, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

O número foi novamente corrigido, passando a levar em consideração que quatro pessoas que estavam entre as 81 e deveriam ter embarcado, na verdade não entraram na aeronave na viagem para Santa Cruz de La Sierra e continuaram no Brasil.

Investigação

O fato de os agentes que participaram das buscas aos corpos e sobreviventes não terem percebido cheiro de combustível na fuselagem da aeronave reforça a hipótese de que o avião teve uma pane seca antes de cair. Outra possibilidade é que o piloto, quando percebeu uma falha na aeronave, tenha esvaziado o tanque para evitar uma explosão no momento da queda

De acordo com a Aerocivil, foram encontrados destroços do avião em um raio de 500 metros do local do acidente. 70% dos corpos foram encontrados na fuselagem e 30% no solo.

Há basicamente duas possibilidades discutidas entre especialistas para explicar o acidente: pane elétrica ou pane seca (falta de combustível). Em momentos finais do voo, a aeronave deu duas voltas ao redor de Medellín. Estava em baixa velocidade, a cerca de 262 quilômetros por hora.

Segundo a Associação de Aviadores da Colômbia, dois aviões solicitaram emergência ao mesmo tempo à torre de comando e a prioridade para aterrissar foi dada a um Airbus com capacidade maior. Uma hipótese é de que a aeronave teve de dar duas voltas na cidade para esperar o pouso do outro avião e, por isso, o combustível acabou.

O Airbus também estava com pouco combustível e em situação de emergência. Radares por satélite, mostram dois aviões voando bem próximos no local da queda da aeronave onde estavam os jogadores da Chapecoense. 

Fredy Builes/Reuters
Equipes de resgate trabalham na recuperação dos corpos

 

Queda da aeronave

A imprensa local informa que a aeronave perdeu contato com a torre de controle por volta das 22h15 local (1h15 de Brasília) e caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín. As ambulâncias com os primeiros feridos chegaram ao Hospital San Juan de Dios de La Ceja por volta das 5h (de Brasília). A Conmebol anunciou, oficialmente, ainda na madrugada, a suspensão da final.

Embarcaram no voo os jogadores: Alan (lat), Ananias (ata), Arthur Maia (mei), Bruno Rangel (ata), Canela (ata), Cléber Santana (vol), Danilo (gol), Dener (lat), Filipe Machado (zag), Follmann (gol), Gil (vol), Gimenez (lat), Josimar (vol), Kempes (ata), Lucas Gomes (ata), Marcelo (zag), Mateus Caramelo (lat), Matheus Biteco (vol), Neto (zag), Sergio Manoel (vol), Tiaguinho (ata) e Willian Thiego (zag).

Além dos atletas, foram confirmados a equipe e comissão técnica: Anderson Paixão (preparador físico), Boião (preparador de goleiros), Caio Junior (técnico), Cezinha (fisiologista), Marcio (médico), Duca (auxiliar técnico), Gobbato (fisioterapeuta), Pipe Grohs (analista de desempenho), Gadú (diretor de futebol), Chinho (supervisor de futebol), Decio (diretor financeiro), Jandir (vice-presidente), Maurinho (diretor de futebol), Sandro (presidente), Adriano (segurança), Cleberson Silva (assessor de imprensa), Cocada (mordomo), Giba (assessor de imprensa) e Serginho (massagista).

Confira a lista completa dos tripulantes: 

O prefeito reeleito de Chapecó, Luciano Buligon (PSB), integrava inicialmente a listagem de tripulantes do aeroplano, mas não chegou a embarcar, segundo confirmou a Prefeitura de Chapecó, por meio de nota oficial. Ele se encontra em São Paulo.

Bauruense lamenta morte de primo que estava no avião

Na manhã desta terça-feira (29), o bauruense Celso Chermont usou uma rede social para expressar o luto pela morte do jornalista Victorino Chermont, que é seu primo.

O profissional era casado, morava no Rio de Janeiro e trabalhava na Fox Sports e na Sport TV.

Ele embarcou na aeronave junto com o time da Chapecoense para cobrir o primeiro jogo da final Sul-americana. 

Tragédia impacta família na região de Bauru

Outra família da região de Bauru também sofre com as mortes registradas no acidente com o avião do time Chapecoense.

Uma das vítimas fatais foi o roupeiro Anderson Donizette. Parte dos familiares dele reside em Lençóis Paulista, inclusive a mãe. 

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