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| Foto ilustrativa mostra cheque sendo preenchido; papel usado no golpe era idêntico ao original |
Uma mulher de 22 anos foi presa, nessa quarta-feira (30), depois de confessar ter tentado descontar cheques fraudados em uma agência bancária da região central de Bauru. Segundo a Polícia Militar (PM), Dayane Wellen Almeida Bastos afirmou ser moradora de Osasco e membro de uma quadrilha integrada por pelo menos mais quatro moradores da região metropolitana de São Paulo.
Segundo o JC apurou, a organização criminosa pode ter causado prejuízo de milhares - ou até milhões - de reais em todo o Estado. À PM, Dayane afirmou que o grupo agia há cerca de seis meses. Com ela, foram apreendidos cheques que totalizavam aproximadamente R$ 17 mil e duas notas falsas de R$ 100,00. A mulher foi encaminhada à Delegacia de Polícia Federal de Bauru e, até o final dessa quarta-feira (30), ela, testemunhas e vítimas ainda eram ouvidas.
Em Bauru, o caso foi registrado no início da tarde, em uma agência da rua Rio Branco. A mulher foi ao estabelecimento para tentar compensar um cheque no valor R$ 5 mil, de um cliente do banco. Como esta era a segunda tentativa de descontar um alto valor em apenas três meses na mesma agência, a PM foi acionada.
“A primeira vez foi em 30 de agosto, na mesma agência, mas a gerente suspeitou da tentativa de movimentação de outra quantia elevada e não liberou o pagamento. Mas a quadrilha já teria conseguido aplicar golpes em cidades como Araraquara, Vargem Grande Paulista, Biritiba Mirim e Lençóis Paulista”, revela a cabo Débora Rodrigues de Souza, das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) da 1.ª Companhia da PM.
PRISÃO
De acordo com a policial, que realizou a prisão com a ajuda do soldado Julian Pavanello, quando viu a aproximação da viatura, Dayane tentou fugir, mas foi abordada alguns metros depois, já fora da agência. “Ela comentou que ficava com metade do valor que conseguia sacar e a outra metade ficava com os demais. Ontem (anteontem) à noite, o grupo teria chegado a Lençóis Paulista e ela veio para Bauru no início da tarde”, pontua Débora.
Coincidentemente ou não, nessa quarta-feira (30), uma pessoa também foi presa por estelionato dentro de um banco em Lençóis Paulista.
O esquema
Fontes ouvidas pela reportagem informaram que, depois de ter acesso a cheques emitidos por correntistas de diversos bancos, a quadrilha clonava as folhas com tamanho grau de fidelidade que até mesmo os bancários teriam dificuldades para identificar a fraude. Usando papel idêntico ao padrão determinado pelo Banco Central, o grupo reimprimia os cheques com todas as informações, adulterando apenas o valor e o número do documento. Ao final, assinava a folha, com semelhança bastante próxima à inscrição original.
Crimes desta natureza, contudo, teriam se tornado frequentes na região, o que levou muitas instituições financeiras, a redobrar a segurança em seus procedimentos. Foi quando elas passaram a telefonar para os clientes quando alguém tentasse compensar um cheque de valor mais elevado em nome deles.
Mas, para tentar burlar esta nova estratégia, de alguma forma ainda não esclarecida, os criminosos passaram a clonar o chip do celular de seus alvos. Foi o que aconteceu, ontem, com a vítima de Bauru, que teve o cheque replicado e preferiu não se identificar. “Recebi ligações como se fosse da operadora, perguntando meu nome e se eu tinha outros números de celular. Depois, disseram que meu número ficaria bloqueado para manutenção e fiquei incomunicável durante todo o dia”, revela.
Ainda de acordo com informações obtidas pelo JC, a partir de então, quando o banco ligava para o cliente, era um dos criminosos quem atendia para autorizar a compensação. “Como tudo isso funcionava é algo que ainda deverá ser investigado, porque, ao que parece, trata-se de uma ação criminosa bem organizada”, frisa a cabo Débora. Em todas as situações em que a fraude é concretizada, é o banco quem arca com o prejuízo, devolvendo os valores ao cliente.
