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Maioria dos professores sofre com o uso da voz

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Segundo Liliane Stumm, alterações podem resultar do uso abusivo da voz, associado à rinite, tabagismo e alimentação

Profissionais que usam a voz no trabalho, salvo algumas exceções, não dão a devida importância aos cuidados necessários para manter este instrumento em pleno funcionamento. Segundo estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, 60% dos professores da rede estadual de ensino de Bauru já sofreram com problemas vocais devido à função que desempenham.

Para tentar trazer luz a esta realidade, a Câmara Municipal de Bauru instituiu o Dia Municipal dos Cuidados com a Voz, que será comemorado anualmente em 16 de abril. A decisão que foi publicada no Diário Oficial do Município nesta semana, a partir da proposta feita pelo Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), que tem o objetivo de ampliar a divulgação sobre a atenção que a voz merece receber.

A pesquisa da Unesp foi desenvolvida em 2012 pela fonoaudióloga Liliane Campos Stumm, que é professora de pedagogia. Ao todo, 381 docentes da rede estadual de ensino foram ouvidos, por sorteio, em escolas de toda a cidade.

“Fizemos toda uma avaliação com equipamentos e programas de computador. Mais da metade dos professores apresentou alterações vocais, determinadas por muitas variáveis, como o uso abusivo da voz quanto ao tempo e à intensidade, além de quadros associados à rinite, tabagismo, alimentação e período de repouso inadequados, entre outros”, cita.

TARDIO

Se projetarmos o resultado para os cerca de 10 mil professores das redes estadual, municipal e privada de ensino, ao menos 6 mil docentes podem ter problemas na voz em Bauru. Professora do Departamento de Fonoaudiologia da FOB/USP, Maria Aparecida Miranda de Paula Machado aponta que os primeiros sintomas de disfunções na voz são garganta seca e cansaço vocal, que podem evoluir para rouquidões temporárias.

“Com descanso, a pessoa recupera a voz. Mas, sem os devidos cuidados, os episódios se tornam mais frequentes e a voz se recupera cada vez menos”, frisa. Ela explica que, com exceção dos cantores, a maioria dos profissionais da voz tende a procurar ajuda tardiamente, quando as alterações vocais já estão mais agravadas.

“Muitas vezes, eles não percebem que o problema é resultado do esforço vocal gerado no trabalho”, comenta. O ambiente em sala de aula, contudo, tende a ser mais desgastante do que nas demais áreas, já que o professor compete com o ruído dos alunos e de ventiladores, além de ser afetado pelo pó do giz e, muitas vezes, por uma acústica ruim.

“E para as mulheres, que são maioria na rede de ensino, a entrada na menopausa gera mudanças nas pregas vocais, tornando a voz mais grave, o que pode reduzir a percepção do problema e agravá-lo ainda mais”, acrescenta Maria Aparecida.

Como prevenção, ela e Liliane orientam os profissionais a adotar uma rotina de cuidados, que incluem exercícios para fortalecer e aquecer a voz antes de usá-la, estratégias para evitar esforço excessivo das pregas vocais, boa alimentação e hidratação constante. “Quando a pessoa vai ficando idosa, naturalmente passa a ter menos força muscular. Mas, se conseguir usar a voz corretamente, poderá mantê-la saudável até o fim da vida”, completa Liliane.

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