O político e evangélico Anthony Garotinho foi preso, acusado de compra de votos. O também político e também evangélico Eduardo Cunha - "Que Deus tenha misericórdia desta Nação" - continua preso, suspeito de diversos crimes. Ambos são do estado do Rio de Janeiro, de onde o também político e evangélico Marcelo Crivella é senador e prefeito recém-eleito da capital. O barulho pentecostal tem ecoado forte na sociedade brasileira, com direito a cargo político a um Marco Feliciano e um gigantesco canal de TV para a igreja do Bispo Macedo. Ainda, "jesustube.net.br" e mais 211 endereços virtuais pertencem ao grande promotor do impeachment, tal como lhe pertence o dinheiro escondido na Suíça, Eduardo Cunha.
Seguindo o Plano de Poder, livro de Edir Macedo, o prefeito eleito Crivella parece ter ponderado o seu discurso atualmente. Crivella já escreveu de modo fanático - "homossexualismo é conduta maligna" e "Igreja Católica prega doutrina demoníaca" -, mas hoje ele está baixando o tom para conseguir chegar mais alto na política. O tema do último Enem, aliás, seria uma excelente oportunidade para esses políticos evangélicos refletirem sobre o combate à intolerância religiosa.
Curiosidade: será que um pastor como Marco Feliciano - "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado" -, que poderia facilmente associar afro-religiões ao diabo cristão, conseguiria escrever sobre intolerância religiosa evitando o emprego da famosa hipocrisia cristã?! Sem dúvida isso seria difícil, pois hipocrisia é o que tem facilitado a sobrevivência de diversos desses pastores na vida política. Tais pastores apresentam-se como "cidadãos de bem", mas não demora nada acabam juntos com Anthony Garotinho e Eduardo Cunha, na cadeia.
Porém, nem só de sepulcros caiados vive o Cristianismo! Apesar de pastores ladrões de dízimo, apesar dos extremistas conservadores, dos propagadores do consumismo, de uma tal teologia da prosperidade... Ainda há políticos religiosos da virtude de um Martin Luther King. Ainda há o Cristianismo que tem mérito político suficiente para que seus maiores inimigos possam concluir: "Historicamente, a democracia é herdeira do Cristianismo!" (Nietzsche, no livro Além do Bem e do Mal).
Enfim, os crimes, o fanatismo, a hipocrisia, a consumismo, a ganância de algumas lideranças religiosas no Brasil, como de um evangélico (evangélico em quê?) feito Eduardo Cunha, não poderão apagar as palavras eternas, e nunca lidas por esse tipo de cristão: "Porquanto, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males!". É por causa dessa cobiça, na verdade, que tantos se desviam da fé em Jesus Cristo" (I Tim 6,10). A corrupção desses falsos profetas, ou seja, apenas confirma a veracidade desta palavra bíblica, além de confirmar também a ignorância do eleitor brasileiro que vive elegendo a hipocrisia para estar à frente do nosso país.