Internacional

80% condenam ataques a hospitais


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Nova York - Mais de 80% das pessoas condenam ataques contra hospitais, ambulâncias e médicos durante guerras, mas 36% acham que é legítimo torturar um inimigo capturado para obter informações militares importantes. Esses são alguns dos resultados do levantamento "Vozes da Guerra", uma pesquisa do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) com mais de 17 mil pessoas, realizada entre junho e setembro de 2016, em 16 países. A pesquisa analisa como as pessoas veem diferentes questões relacionadas à guerra.

Dez dos países estavam passando por conflito armado na época da enquete, entre eles Iraque, Afeganistão, Sudão do Sul, Nigéria, Palestina. Foram ouvidas também pessoas nos cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (França, Estados Unidos, China, Rússia e Reino Unido) e na Suíça.

"Os resultados são tranquilizadores, mas também preocupantes", diz o presidente do CICV, Peter Maurer.

"Um número crescente de pessoas acredita que mortes de civis são parte inevitável da guerra; enquanto isso, a eficácia das convenções de Genebra e seus protocolos adicionais estão sendo cada vez mais questionadas -essas tendências são inquietantes."

As convenções de Genebra têm como objetivo a proteção de civis, prisioneiros e feridos durante conflitos. A legislação humanitária estabelece que não se pode atacar hospitais e profissionais de saúde durante guerras; é necessário permitir a entrada de medicamentos, são vedados o ataque a cidades desprotegidas, a tortura ou tratamento desumano de prisioneiros.

Nos últimos anos, as leis humanitárias vêm sendo sistematicamente violadas, especialmente no conflito da Síria, onde hospitais frequentemente são alvo de bombardeios e civis têm acesso bloqueado a medicamentos e alimentos.

A pesquisa "Vozes da Guerra" havia sido realizada pela última vez em 1999. Na comparação, hoje mais pessoas acham que a morte de civis é parte inevitável da guerra.

Em 1999, 68% dos entrevistados achavam que atacar inimigos em cidades populosas como forma de enfraquecer seu oponente, mesmo sabendo que levará à morte de muitos civis, é errado, e 30% achavam que era simplesmente parte da guerra. Em 2016, 59% disseram que é errado mirar cidades cheias de civis, enquanto 34% acreditam que é parte do conflito.

Os resultados relativos a tortura são preocupantes. Em 1999, 66% eram contrários ao uso de tortura, número que caiu para 48% na pesquisa atual.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 46% acreditam que um inimigo capturado pode ser torturado para se obter informações importantes, enquanto 30% acham que não. Na Nigéria, 70% acham que é legítimo usar tortura nesses casos e em Israel, 50%.

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