| Karla Beraldo/JC Imagens |
| Na década de 90, Jarbas Basílio ajudou a fundar a ABL, onde ocupou a cadeira de número três |
Um homem que dedicou a vida à língua portuguesa. É dessa maneira que a família de um dos membros-fundadores da Associação Bauruense de Letras (ABL), Jarbas Basílio, o define. Nessa quinta-feira (8), aos 85 anos, ele sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Basílio deixa esposa, dois filhos e dois bisnetos de adoção.
O advogado Almyr Basílio, de 55 anos, é o filho mais velho do acadêmico. Ele relata que o pai nasceu em Agudos, mas era bauruense de coração, já que se mudou para a cidade aos 14 anos e, desde então, não mais saiu. “Ele veio para trabalhar na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e, lá, se aposentou como advogado, aos 55 anos”, acrescenta.
Contudo, Basílio não ficou parado. Ele trabalhou por aproximadamente 15 anos na editora Edipro Edições, a antiga Jalovi. “Ele revisava livros e fazia a edição completa”, descreve o filho. O acadêmico também lecionou filosofia do direito na ITE durante sete anos, além de continuar atuando como advogado.
Basílio, inclusive, fez parte da primeira equipe de revisores do JC, em 1967. Na década de 90, ajudou a fundar a ABL, onde ocupou a cadeira de número três. “Meu pai, ainda, colecionava selos, gostava de xadrez, era poeta, enfim, dedicou a vida à língua portuguesa e às mais diversas áreas do conhecimento”, narra.
O POETA
Esposa de Basílio, a advogada aposentada Amarides Moreira Basílio, de 75 anos, ficou casada com ele por 56 anos. Inclusive, na festa de 40 anos de matrimônio, o acadêmico escreveu a poesia “Ao ver o seu retrato” e a dedicou à mulher.
Em um dos trechos, o poeta demonstrava toda a paixão pela companheira: “Por isso aqui, neste mágico instante/ Quarenta anos após os esposais/ À Deus sou grato porque me destinou/ A mais preciosa de todas as mortais”.
“Ele era tão especial que não tenho palavras para descrevê-lo”, desabafa. O acadêmico deixou a esposa, os filhos Almyr e Ingrid, bem como os bisnetos de adoção, Ana Luiza e Almyr Gabriel.
O corpo de Basílio foi velado no Centro Velatório Terra Branca, Centro, e será sepultado nesta sexta-feira (9), às 8h30, no Cemitério da Saudade, na Vila Cardia.
Editor de livros
O livreiro e editor Jair Lot Vieira, da Edipro Edições, antiga Jalovi, conheceu Basílio no final da década de 60, quando o acadêmico ainda trabalhava na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). Assim que se aposentou, Basílio foi convidado a trabalhar na editora. “Era uma excelente pessoa, do bem e tinha uma vida pautada pelo conhecimento”, destaca.