Bairros

Emdurb propõe tarifa de R$ 1,51

Gabriel Garcia
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A tarifa para o sistema de transporte coletivo de Bauru deveria custar R$ 1,51 para, nos próximos 12 meses, quitar o déficit da Câmara de Compensação Tarifária (CCT). O cálculo, feito pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e aprovado pelo Conselho de Usuários, leva em conta o déficit registrado em julho, calculado em R$ 4,5 milhões, dentro de um contexto econômico “ideal”. Atualmente, o bilhete custa R$ 1,20.

A proposta de nova tarifa, apesar de decidida na última semana, já nasce ultrapassada. Isso porque a CCT fechou o mês de agosto com saldo negativo de R$ 5,135 milhões. Além disso, a planilha não considera aumento de insumos, como o combustível, inflação e reajustes salariais.

Outras opções seriam o reajuste para R$ 1,46, o que, na teoria, poderia quitar a CCT em 18 meses, ou a elevação da tarifa para R$ 1,44, com previsão para “zerar” o déficit em 24 meses.

Todos os meses, a câmara amarga um prejuízo que varia de R$ 600 mil a R$ 700 mil, número confirmado pela assessoria de imprensa da Emdurb. A remodelagem no sistema de transportes ocorrida em abril trouxe uma “economia” mensal de cerca de R$ 500 mil, mesmo com a redução de 200 mil quilômetros rodados por mês e a retirada de 26 ônibus.

Embora o déficit da CCT seja “teórico”, ou seja, é uma divída que ainda não tem prazo para pagamento junto às empresas de ônibus, a prefeitura já havia destinado a elas R$ 2,6 milhões até julho deste ano. “A partir do momento em que há um déficit na câmara, alguém tem que pagar por isso. E quem paga é o usuário, quando é feito o repasse na tarifa”, diz o presidente do Conselho de Usuários, Rubens Roberto de Souza.

No primeiro mês após a reestruturação do sistema, o déficit da CCT foi de R$ 250 mil. De acordo com a assessoria da Emdurb, se não houvesse a remodelagem o prejuízo mensal seria ao redor de R$ 1,1 milhão. Para a retomada do crescimento da dívida contribuíram diversos fatores, desde o reajuste nos salários de motoristas e cobradores ao aumento dos insumos nos últimos meses. O último reajuste de tarifa, de R$ 1,00 para R$ 1,20, entrou em vigor em dezembro de 2002.

Evasão

Apesar da necessidade de reajuste da tarifa ser apontada pela Emdurb, pelas empresas de ônibus e pelo próprio Conselho de Usuários, todos temem que um aumento no preço do bilhete possa causar ainda mais prejuízo ao sistema. A Emdurb reconhece que, a cada alta, aumenta o número de passageiros que deixam de utilizar os ônibus circulares.

Segundo a Emdurb, o número de usuários do sistema em Bauru em 1996 era de 4,5 milhões por mês, quando operava apenas uma empresa de ônibus na cidade. Hoje, com três empresas em operação, o volume de passageiros caiu para 2,8 milhões ao mês. No Brasil, de 1995 a 2002 houve uma queda de 25%, em média, dos usuários de transporte coletivo.

“Queremos que o prefeito decida para que não seja penoso o aumento da tarifa para os usuários e que também não deixe o sistema quebrar”, diz Souza, do Conselho de Usuários. A Transurb, associação que congrega as empresas circulares de Bauru, também defende o equilíbrio na tarifa para não afugentar ainda mais os passageiros.

De acordo com a assessoria de imprensa da Transurb, as empresas consideram que o preço da tarifa em Bauru está defasado em relação a outras cidades de porte semelhante. Em Piracicaba, o bilhete custa R$ 1,50 desde janeiro, mesmo valor cobrado em Araraquara desde o mês passado. Em Ribeirão Preto, município de maior porte, a passagem subiu domingo: R$ 1,60 a tarifa simples e R$ 1,90 o passe-integração.

O prefeito Nilson Costa (PTB) é o responsável pela decisão sobre aumento de tarifas, que pode ser feito a qualquer momento do ano. A Lei Orgânica prevê apenas que o novo valor seja publicado um mês antes da entrada em vigor. Até ontem, o prefeito não havia recebido a planilha de cálculo tarifário feita pela Emdurb.

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