| Malavolta Jr. |
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| Silvana de Jesus Cunha, 45 anos, utiliza uma caixa dos Correios situada em frente ao seu local de trabalho, na quadra 21 da rua Gustavo Maciel, em Bauru |
"Queria te agradecer pela carta, pois é uma felicidade receber uma cartinha". Da Penitenciária de Pirajuí, a irmã da doméstica Silvana de Jesus Cunha, de 45 anos, ganha o dia quando recebe notícias da família. Silvana, que escreve à irmã duas vezes por semana, utiliza uma caixa dos Correios situada em frente ao seu local de trabalho, na quadra 21 da rua Gustavo Maciel, em Bauru.
O equipamento é um dos 38 que serão extintos até o primeiro semestre de 2017 - já que, das 55 caixas de coleta existentes na cidade, apenas 17 será mantidas. Silvana tem outras cinco irmãs e faz de tudo para mantê-las unidas. Tanto que três vivem no mesmo bairro que a doméstica: o Parque Jaraguá.
Contudo, o destino separou a mulher de outras duas irmãs, sendo que uma delas está presa, há dois anos, na Penitenciária de Pirajuí, acusada de tráfico de drogas. "Na época, a filha dela era menor de idade e escondeu drogas em casa. A polícia encontrou e deteve minha irmã. Embora a garota tenha assumido a culpa, ela permaneceu presa", descreve.
Já a outra irmã de Silvana é viciada em drogas e, há seis anos, se mudou para Santos. "Ela não tem celular e nos correspondemos por carta", narra. Como a doméstica escreve com frequência, optou por adquirir os selos e utilizar uma caixa de coleta localizada em frente ao seu local de trabalho.
O equipamento, porém, será extinto em breve. Logo, Silvana terá de procurar outro local ou, até mesmo, uma agência dos Correios para enviar as cartas que escreve às irmãs. O motivo, segundo a assessoria de imprensa dos Correios, é a baixa utilização.
CUSTOS
O órgão esclarece, ainda, que a manutenção mensal em caixas de coleta gira em torno de R$ 472,14 - apenas intervenções de reparo, sem substituição do conjunto sobradiça/fechadura - a R$ 531,27 - considerando o reparo e a substituição completa do conjunto dobradiça/fechadura. Assim, a baixa utilização, aliada aos custos de manutenção - que decorrem de atos de vandalismo e desgastes do tempo -, motivaram a retirada de 70% das caixas de coleta. Ação que, segundo os Correios, vem sendo feita em nível nacional.
