| Aceituno Jr. |
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| "Eu entro nas casas fazendo bagunça e entregando presentes para as crianças", diz Homero Guedes Gasparini, 61 anos |
Dezembro é o mês dos Papais Noéis. Eles rodam a cidade, viajam para locais distantes e, muitas vezes, passam o Natal longe da família. É preciso ter muito fôlego e, principalmente, paixão pelas crianças para exercer a profissão ou o hobby.
Com uma textura semelhante à do algodão-doce, o cabelo e a barba de Homero Guedes Gasparini evidenciam, de imediato, a carreira que seguiu desde os 28 anos: Papai Noel. Atualmente, aos 61, o ânimo ainda é o mesmo, já que, em toda véspera de Natal, ele tem de percorrer mais de 200 quilômetros para visitar a criançada de Bauru e região.
Em toda véspera de Natal, Gasparini visita as famílias que o contratam. Nas residências, ele posa para as fotos e entrega brinquedos às crianças. Acompanhado do neto, de 13 anos, o Papai Noel sai de casa às 17h e só retorna na manhã do dia seguinte. No restante do ano, trabalha como segurança.
“Eu entro nas casas fazendo bagunça e entregando presentes para as crianças. Não fico mais do que 10 minutos, senão atrasa a próxima visita. Nas residências, entrego os brinquedos que os próprios donos compram. Porém, no caminho, se encontrar alguma criança carente, dou os presentes que vou arrecadando ao longo do ano”, acrescenta.
Solidariedade é palavra de ordem para Jair Figueira, de 67 anos, que se veste de Papai Noel há aproximadamente 12 anos. Ele, o irmão, a cunhada, além dos sobrinhos enfeitam a caminhonete e saem distribuindo doces pelos bairros de Bauru, sempre nos dias 22, 23, 24 e 25 de dezembro.
As guloseimas são arrecadadas ao longo do ano e a entrega, segundo Figueira, compensa tudo. “Quando me vesti de Papai Noel pela primeira vez, eu gostei, porque é tudo de bom ver a alegria no rosto das crianças”, constata o homem, que trabalha como barbeiro no restante do ano.
‘IMPORTADO’
Uwe Duetsch. Esse é o verdadeiro nome de outro Papai Noel que atua em Bauru. Há dois anos, ele optou pela profissão para unir o útil ao agradável: não pretende parar de trabalhar e é apaixonado pela garotada.
Duetsch é administrador, tem 60 anos e nasceu na Alemanha. Em 1985, veio ao Brasil para trabalhar em uma ONG voltada às crianças carentes, situada na Capital do Estado de São Paulo. Logo em seguida, voltou ao seu país de origem.
Porém, como havia se casado com uma brasileira, retornou em 2000. Hoje, o Papai Noel vive em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, mas passa uma temporada em Bauru, a trabalho. “Não há nada mais bonito do que ver o brilho nos olhos das crianças”, opina, em bom português.
Fabiano Benedito Taquino, de 50 anos, compartilha da opinião do colega de profissão. Há 19 anos, o mariliense trabalha como Papai Noel. “Quando vi a carreata da Coca-Cola, na região de Bauru, fiquei vislumbrado e cheguei a ser o Papai Noel da empresa por cinco anos”, relata.
Depois, Fabiano passou a buscar emprego em outras cidades, como Bauru, Gramado, no Rio Grande do Sul, e São Paulo. “Conto histórias para cada criança que passa por mim. Muitas, aliás, têm trajetórias tristes, como a morte de um pai, por exemplo. Me esforço para manter vivo o espírito de Natal e o faço com muito prazer”, finaliza.
