Geral

Teste 'rastreia' intolerância alimentar

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

Malavolta Jr.
A nutricionista Eliane Petean Arena desenvolve um programa para identificar hipersensibilidade no organismo a alimentos

Tão comum como alguém reclamar de algo que ingeriu e lhe fez mal (ainda mais nas festas de fim de ano com mesa farta) é a falta de informação entre os consumidores a respeito da intolerância alimentar, uma reação espontânea do organismo que recebe alguns alimentos como agressores. Entretanto, o mesmo mal que atinge em torno de 45% da população, segundo os profissionais do setor, também é desconhecido da imensa maioria.

Em Bauru, a nutricionista Eliane Petean Arena lançou uma metodologia para diagnosticar a hipersenbilidade alimentar e realizar o tratamento. Ela se concentrou em estudos, pesquisa, para desenvolver metodologias que possam dar respostas rápidas na identificação da intolerância alimentar.

"No Brasil a intolerância alimentar é tratada apenas como análise de sintomas e teste de reações com a retirada de alimentos da dieta. E esse mecanismo pode durar muito tempo, levando os pacientes a sofrerem com a longa investigação sobre o que se come e como o organismo recebe esses alimentos", aborda.

Por outro lado, a profissional complementa que muitos sofrem com dificuldades para emagrecer ou ganhar massa e não associam a questão, por vezes, com a hipersensibilidade do organismo.

"A intolerância certamente é uma questão que está por trás desses problemas. É sempre muito difícil equilibrar o metabolismo e diminuir o peso de uma pessoa quando ela sofre com esse problema 'invisível'. As pesquisas me levaram ao Programa Nutrintolerância para atacar essas questões de forma sistêmica", defende Petean.

FAÇA A COISA CERTA

A nutricionista conta que o programa ajuda os pacientes a descobrirem suas hipersensibilidades alimentares, o que permite a ação direcionada para, após um período de acompanhamento da intolerância manifestada para cada indivíduo, processar a reintrodução de alimentos, ou buscando o equilíbrio nutricional a partir de alternativas no cardápio, no hábito alimentar.

A verificação de eventuais hipersensibilidades no organismo é feita por um teste rápido e sem dor. O teste faz a 'medição' de reações orgânicas - por impulsos obtidos em dois pontos da mão (pulso). O mapeamento fornece informações por frequência obtida pelo organismo que alimenta as informações de um software. A medição dos impulsos verifica níveis para 800 alimentos, cujo cadastro de mapeamento cruza os dados com os parâmetros existentes no programa.

O teste realizado pelo aparelho fornece mapa com as reações de produção de enzimas para cada alimento. As enzimas são produzidas pelo organismo para realizar a digestão dos alimentos.

"É uma avaliação da performance orgânica de cada um. O sistema foi desenvolvido de forma que essa medição de impulsos mapeia a produção de enzimas para grupos alimentares. O resultado identifica como está a funcionalidade da produção de enzinas digestivas específicas, abrindo caminho rápido para a identificação de intolerância ou não", explica.

A partir dos dados, a nutricionista forma o quadro geral de hábitos alimentares de cada um. "A entrevista pessoal que identifica o hábito e as queixas comuns associadas ao teste leva a uma rápida e eficaz identificação da hipersensibilidade", acrescenta Eliane. O plano alimentar é feito para cada pessoa, com alimentos divididos em 36 grupos e uma sequência de testes de medição que avaliam a existência de reações.

Com essa ferramenta, associada à entrevista sobre os hábitos individuais, a profissional traça a estratégia de redução ou retirada temporária de determinado tipo de alimento. "Não tem aplicação de dieta experimental, nem de tratamento rigoroso. Os parâmetros fornecidos pelos testes oferecem condições seguras e favoráveis para retirar um tipo de alimento por algum tempo da dieta e substitui-lo, com a reintrodução gradual desse alimento depois, de acordo com cada caso", reforça.

Eliane lembra que nenhuma pessoa reage igual à outra. "Cada um reage de um jeito. Em geral, o tratamento inicia com a exclusão do alimento da dieta por no mínimo 90 dias e depois da mucosa intestinal tratada, com a recomposição da microflora, é realizado o equilíbrio das reações do corpo. O monitoramento de cada passo leva à readequação e da resposta do organismo àquele grupo ou tipo de alimento no tempo", enfatiza.

Diversidade de sintomas

A intolerância alimentar pode ter como "aviso" pelo organismo uma infinidade de sintomas, entre eles a dificuldade de perder peso, a fadiga constante, a falta de energia permanente, a constipação intestinal, dores de cabeça, envelhecimento precoce, inchaço do abdômen, flatulência, edemas, dores de cabeça, irritabilidade e mau humor, debilidade do sistema imunitário, problemas de pele, entre outros.

O mal pode atingir adultos e crianças, e desde bebê. Mas ela também pode aparecer repentinamente. Outra dificuldade é que em alguns o sintoma só se manifesta no dia seguinte à ingestão.

Ainda, de acordo com a nutricionista do Centro Nutrição Celular, a dieta da civilização moderna, que consiste prioritariamente de alimentos industrializados, veio produzindo uma "era de intolerantes", com um quadro crescente de organismos hipersensíveis.

O programa prevê, após uma única consulta, as etapas de testes e análises das intolerâncias e das necessidades nutricionais individuais, o equilíbrio da biodinâmica do organismo, a eliminação dos sintomas de desequilíbrio orgânico e a indicação dos alimentos de acordo com os níveis de atuação no organismo.

VARIANTES

"O problema todo ocorre quando o organismo não produz certas enzimas capazes de absorver os açucares de determinados alimentos, que são ingeridos. Sem essas enzimas, os açúcares não são absorvidos durante o processo digestivo, se acumulando no estômago e no intestino, provocando inflamações", informa a nutricionista.

Conforme a profissional, com o acúmulo no organismo, além de inflamada, a mucosa intestinal tem sua permeabilidade aumentada e esses alimentos atravessam suas paredes e caem diretamente na circulação sanguínea.

"É nesse ponto que o sistema imunológico do corpo é afetado e passa a reconhecer esses elementos como estranhos e agressores, passando a combatê-los e causando processos inflamatórios em vários órgãos e tecidos e originando até 150 sintomas diferentes".

'TERMÔMETROS'

Os indicadores mais comuns de intolerância estão ligados à lactose, glúten, crustáceos, carboidratos, chocolate e os alimentos com conservantes e corantes em geral.

"A industrialização alimentar tem sido bastante agressiva para o organismo, uma vez que os aditivos acrescentados nos alimentos para conservação, transporte, melhoria do sabor e da aparência, são considerados elementos tóxicos para o metabolismo orgânico que não nasce preparado para digerir químicas artificiais. E o programa permite identificar cada uma destas questões em cada pessoa", finaliza.

Caso típico: 'Fui contornando e convivendo'

Angela Carvalho conta que, já adulta, quando comia algum doce tinha, de imediato, diarreia.

"Levei anos para entender que era leite, porque não tomava in natura. Leite puro dava vômito e diarreia. Achava curioso que, quando o doce tinha leite condensado ou creme de leite, eu não tinha nenhuma indisposição. Depois de passar por médicos, foi identificado que meu organismo não digere direito a proteína da lactose e isso foi gerando a hipersensibilidade. Passei a tomar remédio que é como uma enzima para quebrar a proteína da lactose. A evitar lactose e a consumir produtos como creme de leite sem a lactose", conta. A partir de então, Angela tem tomado comprimido por dia para promover a "quebra" da lactose no organismo. E tem, claro, evitado produtos com a proteína.

"O certo é tirar o leite, mas ele está presente em muitos alimentos e isso tornaria minha dieta bastante difícil. E até em embutido tem. E quando tem leite e açúcar é ainda pior. A partir da identificação e dos cuidados com a lactose, fui contornando e convivendo com isso. Continuo evitando e nunca tomando leite puro".

Angela Carvalho conta que, já adulta, quando comia algum doce tinha, de imediato, diarreia. "Levei anos para entender que era leite, porque não tomava in natura. Leite puro dava vômito e diarreia. Achava curioso que quando o doce tinha leite condensado ou creme de leite eu não tinha nenhuma indisposição. Depois de passar por médicos, foi identificado que meu organismo não digere direito a proteína da lactose e isso foi gerando a hipersensibilidade. Passei a tomar remédio que é como enzima para quebrar a proteína da lactose. Passei a evitar lactose e a consumir produtos como creme de leite sem a lactose", conta.

A partir de então, Angela tem tomado um comprimido por dia para a "quebra" da lactose no organismo. E tem, claro, evitado produtos com a proteína. "O certo é tirar o leite, mas ele está presente em muitos alimentos e isso tornaria minha dieta bastante difícil. E até em embutido tem. E quando tem leite e açúcar é ainda pior. A partir da identificação e dos cuidados com a lactose, fui contornando e convivendo com isso. Continuo evitando e nunca tomando leite puro", menciona.

Comentários

Comentários