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Mendicância aumenta no fim de ano

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

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O espírito de solidariedade que tomou conta das pessoas no final do ano, aliado ao aumento do fluxo de pessoas e veículos, trouxe como consequência um número maior de pessoas que pedem dinheiro nas ruas em Bauru. Segundo a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), crianças, adolescentes e adultos tendem a aproveitar o momento para abordar, com mais chance de sucesso, potenciais doadores de algum trocado nas imediações de restaurantes, praças e semáforos.

A Polícia Militar destaca que, como a prática de mendicância não é crime, a corporação pode apenas prestar orientação aos pedintes. Já a Sebes recomenda que a população não dê dinheiro, para não estimulá-los a permanecer nas ruas.

Na última semana, uma equipe da pasta abordou cerca de cinco crianças pedindo esmola no cruzamento entre a avenida Nações Unidas e a rua Ibraim Nobre, na Vila Nova Cidade Universitária – um ponto habitual onde esta prática ocorre em Bauru. “Todas elas são atendidas pela Sebes e os familiares já foram contatados”, destacou a titular cessante da Sebes, Darlene Tendolo.

De acordo com ela, que deixou o cargo no último domingo, são justamente as crianças que conseguem sensibilizar a população com maior facilidade. “Muita gente, por generosidade, acaba presenteando esses garotos com alguma quantia. Época de Natal e Ano Novo é um momento em que as pessoas fazem uma reflexão e um balanço de vida, ficam mais sensíveis, às vezes até fazem pagamento de promessas, mas é importante salientar que a orientação é não dar esmola ”, frisa.

A ex-secretária argumenta que, ao estimular pedintes com doações, a população prejudica as ações realizadas pela Sebes para retirar estes indivíduos das ruas. “Felizmente, hoje, devido ao trabalho desenvolvido pelo município, não há muitas crianças e adultos com este tipo de hábito em Bauru”, observa.

GRUPO

Proprietário de um restaurante da rua Maria José, na Vila Nova Cidade Universitária, Fábio Pena conta que, desde o início de dezembro, um grupo de cinco a sete crianças aparentando não ter mais do que 12 anos de idade permanece diariamente nas imediações de seu estabelecimento. Embora o empresário doe marmitas para os garotos sempre que chegam, eles abordam os clientes em busca de dinheiro.

“Eles ficam pedindo para guardar os carros que estacionam na rua. O foco deles é realmente o dinheiro e as pessoas acabam dando. Já o adulto, quando pede comida no restaurante, pega a marmita e vai embora”, compara.

Presidente do Conselho Tutelar 2, Márcia Pereira da Silva avalia que, no caso das crianças, o mesmo grupo costuma atuar em outros pontos da cidade, como a avenida Nações Unidas. Ela destaca, contudo, ser difícil a abordagem, visto que, normalmente, as crianças e adolescentes fogem do local.

“Há casos, ainda, em que eles se recusam a dizer onde moram e quem são seus pais”, conta, salientando que, quase sempre, quem faz o contato com os pedintes é o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), para encaminhamento, inclusive dos familiares, aos serviços prestados pela Sebes.

Samantha Ciuffa
Capitão Bruno de Oliveira explica quando PM pode agir

Extorquir X mendigar

Comandante da 1.ª Companhia da PM em Bauru, o capitão Bruno de Oliveira salienta que as pessoas que pedem dinheiro nas ruas não estão cometendo crime e, por isso, a atuação da PM fica restrita. Mas, no caso dos guardadores de carros que estacionam na via pública, a prática pode ser configurada como extorsão.

“Quando a pessoa se sente coagida a dar o dinheiro, com medo de represália após uma abordagem ríspida, a Polícia Militar deve ser acionada. Iremos até o local para prestar orientação. Mas, para a condução do indivíduo à delegacia, a vítima precisa ser identificada no registro do boletim de ocorrência”, completa.

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