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Construindo a felicidade

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Certa vez perguntaram a uma mulher casada se seu marido a fazia feliz. Ela respondeu: “Olha, meu marido não tem nada a ver com isto. Eu me faço feliz!”. Achei interessante esta visão de como obter a felicidade, e comecei a meditar sobre o assunto tentando achar um caminho ou uma lógica para isto. Adotando esta visão, acabei também fazendo uma distinção que poucos fazem, entre “felicidade” e “alegria”. Entendo que estar “alegre” ou “contente” é uma satisfação que acontece com as pessoas em curto espaço de tempo devido a um fato agradável que ocorreu, e que depende de algum fator externo e não da própria pessoa beneficiada. Por exemplo: se de repente, alguém recebe um presente que gosta muito ou ganha na loteria uma bolada, certamente vai ficar alegre ou vai ficar contente. Mas, ficar feliz, segundo aquela visão, seria um pouco diferente.


Eu me faço feliz, é a chave! Se for possível resumir, diria que “felicidade” é o estado de espírito agradável que se estabelece após uma sequência de boas ações praticadas. Por exemplo: caso uma pessoa se sacrifique e estude com afinco durante meses e depois é aprovada num concurso bastante concorrido que ela tanto desejava, com certeza acaba se sentindo realizada e feliz. Da mesma forma, se a pessoa cuida durante um tempo de alguém que ama e que estava muito enfermo, e este conseguiu se recuperar graças a ajuda que recebeu, a pessoa que proporcionou isto fica em estado de êxtase e sua satisfação e autoestima vai às nuvens! Nos dois casos, a pessoa se sente útil, se sente valorizada, passa a ter orgulho de si próprio, e o estado de felicidade é a consequência disto tudo.


Assim, creio que o conceito de felicidade está associado com algo mais duradouro e que depende da própria pessoa, que ela constrói pacientemente ao longo do tempo, um pouco cada dia, com ações contínuas e positivas, calcadas num conjunto de valores que a pessoa defende. Em suma, felicidade é um sentimento agradável que se estabelece como resultado de uma boa história de vida. Note também que uma pessoa feliz é aquela que está bem consigo mesma, está sempre serena e satisfeita. Pessoas felizes são pessoas realizadas e seguras, e isto se percebe no seu semblante e que acaba se irradiando e todos ao redor acabam sentindo. Assim, felicidade não é algo que se possa comprar ou roubar, nem vender ou transferir, nem reivindicar. Mas, certamente, é algo que se possa almejar, que se possa lutar e conquistar. O que se compartilha com os outros é a alegria ou o prazer e não a felicidade. Conquistada, ela é só sua e o prêmio é você saborear a felicidade com você mesmo.


O autor é prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil Faculdade de Engenharia da Unesp – Bauru SP

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