Tribuna do Leitor

Falando de educação musical

Sonia Berriel
| Tempo de leitura: 3 min

A presença da música na vida dos seres humanos é incontestável. A sensibilidade é fundamental para o desenvolvimento integral da criança e do ser humano em geral. A percepção estética nada mais é que a sensibilidade ao belo, à proporção, à ordem e à harmonia. Sabemos que a educação musical é o campo de estudo que se refere ao ensino e aprendizagem da música. Principalmente nas décadas finais do século XX, encontramos inúmeras pesquisas que confirmam que a influência da música no desenvolvimento mental da criança é notável.


Schlaug (escola de medicina de Harvard – USA) e Gaser (Universidade de Jena – Alemanha) revelaram que, ao comparar o cérebro de músicos e não músicos, os dos primeiros apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor. O que esses pesquisadores perceberam, e que vem ao encontro de muitos outros estudos e experimentos, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione “em rede”: o indivíduo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi correto (audição).


Ainda segundo Gaser, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos. Será por isso que Platão já afirmava, há muitos séculos, que a música é a ginástica da alma? A música proporciona melhoras no desenvolvimento cognitivo da criança. E o que dizer do desenvolvimento afetivo e social que ela realiza? Ouvindo música clássica lenta, segundo Losasov, cientista búlgaro, a pessoa passa de nível alfa (alerta) para nível beta (relaxado, mas atento); baixando a ciclagem cerebral e aumentando as atividades dos neurônios.


As sinapses ficam mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem. Há 6 meses está em ativividade em Bauru a escola de música “Bravo”. Fica ali na avenida Getúlio Vargas, nº 17-76 .


Fui visitar a nova escola e fiquei muito bem impressionada! Fruto de uma parceria séria entre o violinista Marcos Santos e a violoncelista Paula Martins Said, a escola “Bravo” tem tudo que uma educação musical bem feita e planejada pode oferecer para crianças, jovens, adultos e portadores de necessidades especiais. Marcos Santos iniciou seus estudos de música na Orquestra Sinfônica de Bauru e hoje tem mestrado e doutorado em violino em duas universidades dos Estados Unidos.


Paula Said o segue com o mesmo currículo importante. Dois músicos excelentes, idealistas, dotando Bauru de uma escola especial! Aliás, todos os professores da escola “Bravo” tem um diferencial importante: são especialistas, mestres ou doutores em seus instrumentos. Por exemplo: há 4 professores de piano, com pedagogia específica para cada idade e para crianças com necessidades especiais.


O ensino de violino utiliza o Método Suzuki, com aulas coletivas e individuais. Até violinos de tamanho infantil de material eva (etil vinil acetato) são utilizados para que crianças a partir de 3 anos possam aprender e se acostumar com a posição correta de segurar o instrumento e com o peso do mesmo. A professora Juliana Bizarra ministra aulas de musicalização infantil para crianças desde os 8 meses até os 6 anos. Aulas de piano são iniciadas aos 3 anos. A escola oferece um leque de opções para quem quiser entrar no mundo maravilhoso da música: aulas de violino, viola de orquestra, cello, piano, técnica vocal, estética vocal e fisiologia vocal, violão erudito e popular, guitarra e contrabaixo acústico, sopros.


Além dos níveis iniciais e médios, a escola prioriza também a formação de músicos profissionais e atende a músicos de toda a região. É uma escola que encurta a distância para quem quer se aperfeiçoar de fato e se profissionalizar, sem ter que recorrer aos grandes centros mais distantes. Se lhe interessar, vá visitar a escola. Marque uma aula experimental. Concluindo, saúdo a nascente escola “Bravo” e incentivo pais e envolvidos com a educação de crianças para que viabilizem, de todas as formas, um contato prazeroso, formativo e saudável com a linguagem musical.

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