Em dezembro de 2016, na avenida Rodrigues Alves, um detalhe me chamou a atenção: cinco jovens felizes, seguindo um atrás do outro e sendo ajudados a atravessar as esquinas da avenida pelos bauruenses que estavam naquela localidade. Os jovens tinham dificuldades visuais.
Vocês precisavam ter visto a dificuldades para atravessar as esquinas da avenida que é o coração da cidade de Bauru, que estes cinco jovens tiveram. Basta ser pedestre ou pior, estar com mobilidade reduzida, para imaginar. Estamos falando de boa parte doas bauruenses que usam os pés para se deslocar em direção aos pontos de ônibus de nossa cidade.
Assim, andabilidade, uma tradução do termo inglês walkability, é um bom modo de começarmos a falar sobre um princípio fundamental das boas cidades, presente nas estruturas urbanas tradicionais, que é a qualidade do caminhar, da acessibilidade à cidade para qualquer tipo de pessoa, de qualquer idade, com qualquer tipo de dificuldade motora.
Andar é uma atividade humana básica, por isso devemos ter calçadas seguras e confortáveis para que todos possam ser parte integrante de um sistema geral de produção da cidade que historicamente gasta milhões com o asfalto, onde andam os veículos e regula milimetricamente o que se pode construir lote adentro, mas jamais priorizou os espaços de circulação dos pedestres.
Sabemos que a maior parte de nossa periferia não tem calçadas. Isso começou com os processos de loteamento antigos na cidade, que em muitos casos sequer exigiu a execução de passeios e suas dimensões mínimas para serem aprovados. Por um lado, é totalmente ilusório achar que o poder público teria capacidade financeira e de gestão de, da noite para o dia, consertar todas as calçadas da cidade e implantá-las onde não existem.
A cidade enfrenta, assim, uma negação dos espaços públicos, tornando a relação público-privada cada vez mais austera. Alguém já parou para pensar que as calçadas são problema de saúde pública? Dependendo das circunstâncias do tombo, o pedestre pode sair dele com corte, contusão e até com fraturas mais graves, principalmente nas pernas. Seria interessante se a nossa Saúde tivesse os dados de quantos bauruenses se acidentam em nossas calçadas. Pergunta-se, então: como anda a andabilidade dos bauruenses nas nossas calçadas?