Tribuna do Leitor

Hoje, Dia da Visibilidade Trans!

Victor Favero
| Tempo de leitura: 3 min

Movimentos sociais costumam ser cada vez mais rebuscados e repreendidos pelo neoliberalismo ascendente e a modelagem burguesa do sistema vigente, desde seu fundamento até toda sua estruturação e dinâmica que fortalece o egocentrismo, instiga a superioridade dos que detém maiores poderes financeiros e atrela muitos interesses que vão além da economia, sem atribuir qualquer ação para com o coletivo. No entanto, os que seguem pautas únicas, como o LGBT, são retirados de circulação. São atacados, seja verbalmente ou fisicamente por autoridades ou grupos fascistas sob um fervor de reacionarismo e conservadorismo. 

Calados e forjados ao silêncio de quaisquer falas que os remetem a serem considerados cidadãos normais, perante ao ponto de vista de como seria o tratamento da população, principalmente aqui em Jaú (cidade interiorana onde possuímos resquícios da simplicidade do trabalhador aos moldes do século passado e à disposição da ideologia da classe dominante, também a hierarquização do colonialismo) com os cisgêneros (pessoas que possuem sua identidade à partir do gênero que lhe foi dado em seu nascimento) e heterossexuais.

Não sou trans, não sou mulher. Mas luto e apelo justamente nesta data simbólica para que lutemos pela causa. Não é preciso tanto para vermos que a nossa nação é a que mais mata transexuais: entre 1 de Janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2015, segundo uma pesquisa feita pela ONG Transgender Europe (TGEU), tivemos 802 assassinatos de transsexuais vítimas de transfobia no Brasil. 

As oportunidades de emprego se fecham para esse grupo também, oferecendo como mazela a prostituição e a indústria pornográfica, tais quais, objetificam e destroem, respectivamente a corporeidade e o equilíbrio emocional desses. Segundo Déborah Sabará, presidente do grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (GOLD), o mercado formal aloca pouca presença de pessoas trans, devido a evasão escolar e o preconceito da sociedade, tornando 90% de travestis e transsexuais sendo pró-ativos na prostituição. "Quero ficar com você, mas não posso; Meu corpo torna-se objeto; Tenho pavor do meu nome civil; Odeio ir a banheiros públicos; Fico feliz com um bom dia aleatório; Sou negada de poder amar; Não tive vida escolar tranquila; Tenho que namorar no sigilo; Descobri que sou feliz sendo eu mesma." Rrelato anônimo de uma transsexual que participou da campanha feita na internet, "PorSerTrans", que recebeu várias aderências. A transsexualidade é ainda tratada com pavor. A OMS (Organização Mundial da Saúde) trata este caso como distúrbio mental, similar a homossexualidade precedente aos anos 90.  Mas o cenário, por mais que continue lastimável, pensar a identidade como uma doença nos obriga a buscar uma cura, e em vez disso os esforços institucionais devem focar em reconhecer a diversidade, promover a inclusão e garantir direitos. 

São com essas expressões que nas Olimpíadas do Rio 2016 promoveu-se a aparição da modelo transsexual Lea T na entrada da federação brasileira, durante a abertura dos Jogos, e também no início deste ano, a concessão do nome social à advogada Márcia Rocha classificando-a como a primeira advogada transsexual a usar seu nome social no Brasil. Além de visibilidade e luta, para denunciarmos casos de transfobia ou LGBTfobia em geral, há algumas medidas cabíveis, como uma delegacia especializada em crimes contra minorias, que inclui LGBT, na capital paulista: a Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). O endereço é: Rua Brigadeiro Tobias, 527, 3º andar, no bairro Luz. O telefone é: (11) 3311-3555. Também existe a Lei 10.948, de 2001, que dispõe sobre as penalidades aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual.

Desde 2015, o registro digital de ocorrência passou a contar com um campo específico para incluir nome social, bem como um campo específico para registro de intolerância homofóbica. No ano passado, foram registradas 47 ocorrências de crimes contra LGBT. Os números se referem apenas aos crimes denunciados no Decradi.  No relatório do Disque 100, há 238 casos de LGBTfobia relatados em 2015. Basta! Termina-se reforçando a ideia de quão grande é a estrada e o caminho dos que dizem amar ao próximo, assim que um ou uma transsexual vem a óbito pela ignorância de outrem!

 

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